Um bug compartilhado entre redes EVM do ecossistema Cosmos resultou na drenagem de fundos de três blockchains diferentes — e duas das três falhas subjacentes ainda não foram corrigidas no código-fonte original.
O Cosmos Labs emitiu um alerta formal recomendando que redes compatíveis com EVM dentro do ecossistema Cosmos suspendessem suas operações após a descoberta de uma vulnerabilidade crítica de segurança que já havia drenado fundos de três blockchains distintas. A recomendação veio seis dias depois de um patch ter sido distribuído — sem nenhum aviso de segurança acompanhando a atualização.
A ausência de uma notificação formal sobre o caráter crítico da correção deixou diversas redes expostas durante esse intervalo. Projetos que não atualizaram seus sistemas a tempo viram seus fundos serem drenados antes mesmo de entenderem a gravidade do problema.
KiiChain relata perda de 148 milhões de tokens
A KiiChain foi uma das três redes afetadas e a que divulgou os detalhes mais concretos sobre o incidente. Segundo declaração pública da equipe do projeto, a sequência de explorações custou à rede 148 milhões de tokens. Além disso, a KiiChain afirmou que duas das três falhas identificadas como base do ataque ainda não foram corrigidas no código upstream — ou seja, no repositório original do qual essas redes derivam.
Segundo o portal The Defiant, a situação expõe um risco sistêmico relevante: quando múltiplas redes compartilham a mesma base de código, uma única vulnerabilidade pode propagar danos de forma simultânea e ampla antes que qualquer resposta coordenada seja possível.
Três blockchains EVM do ecossistema Cosmos tiveram fundos drenados por meio de uma vulnerabilidade presente no código compartilhado entre elas.
A correção foi liberada seis dias antes do alerta público — sem qualquer nota de segurança, deixando redes não atualizadas completamente vulneráveis.
A KiiChain foi a rede que divulgou mais detalhes, reportando a perda de 148 milhões de tokens durante os ataques.
Segundo a KiiChain, duas das três vulnerabilidades que possibilitaram os ataques ainda não foram corrigidas no repositório upstream.
O risco do código compartilhado em blockchains
O incidente reacende um debate recorrente no setor: a dependência de código compartilhado entre projetos que operam como redes independentes cria um vetor de ataque em escala. Quando uma falha é descoberta, ela potencialmente afeta não uma, mas dezenas de redes simultaneamente — e a velocidade de resposta raramente acompanha a velocidade de exploração.
Divulgação responsável: o protocolo que falhou
Práticas consolidadas de segurança em software determinam que correções críticas devem vir acompanhadas de avisos claros sobre a natureza da vulnerabilidade — especialmente quando múltiplos projetos dependem do mesmo código. Neste caso, o intervalo de seis dias entre o patch e o alerta público funcionou, na prática, como uma janela de exploração para agentes mal-intencionados que monitoram repositórios de código aberto.
Para usuários e desenvolvedores que navegam pelo ecossistema de criptoativos, episódios como este reforçam a importância de compreender os riscos associados a redes menos maduras — e de manter atenção constante às comunicações oficiais dos projetos em que estão envolvidos. Entender como funcionam e como são regulados esses ativos é um passo essencial.
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