InícioBitcoinFalha no Liquid Network cria quase 4.000 L-BTC do nada

Falha no Liquid Network cria quase 4.000 L-BTC do nada

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Uma vulnerabilidade de colisão de cache no Liquid Network permitiu a emissão de quase 4.000 L-BTC sem lastro real — e parte dos fundos já foi resgatada em Bitcoin na mainnet.

No dia 6 de setembro de 2026, às 13h52 UTC, duas transações de estrutura idêntica foram confirmadas no bloco 4.050.335 da sidechain Liquid, da Blockstream. Um minuto depois, um terceiro registro apareceu no bloco seguinte — e, juntos, os três movimentos introduziram aproximadamente 3.998,5 L-BTC no conjunto de UTXOs da rede, sem que houvesse qualquer depósito (peg-in) de Bitcoin real por trás deles.

O Liquid Network é uma sidechain federada do Bitcoin, projetada para liquidações rápidas e emissão de ativos digitais. Para que L-BTC exista legitimamente, BTC precisa ser depositado em uma carteira multisig controlada pela federação de membros — só então a rede emite a versão “wrapped” do ativo. O que o atacante fez foi contornar exatamente esse mecanismo.

Segundo a SlowMist, firma especializada em segurança blockchain, a raiz do problema está em uma otimização de performance introduzida no código ainda em 2016. Dez anos depois, essa mesma lógica de cache foi explorada para forjar transações válidas aos olhos dos nós da rede — permitindo que ativos inexistentes fossem criados e, em seguida, gastos.

Como a colisão de cache key funcionou

A vulnerabilidade, classificada como cache key collision, permitia que duas transações distintas fossem mapeadas para a mesma chave interna de cache. Ao processar a segunda transação, o nó reutilizava o resultado já armazenado — validando-a como legítima sem verificar novamente as entradas reais. O resultado: L-BTC emitido sem qualquer BTC depositado como garantia.

Após a criação dos ativos sintéticos, o atacante não ficou parado. Os L-BTC forjados foram rapidamente consolidados e gastos, e depois convertidos de volta para BTC real por meio do canal federado de peg-out — o mecanismo oficial de resgate da sidechain. Em outras palavras, ativo fictício entrou; Bitcoin real saiu.

A investigação da SlowMist, que utilizou a ferramenta MistTrack para rastrear os fluxos on-chain, revelou que no dia seguinte ao ataque, 3.400 BTC foram devolvidos à carteira da federação. Os 598,5 BTC restantes, no entanto, permaneciam em posse do atacante até a publicação da análise, sendo transferidos repetidamente para si mesmo.

🔗 L-BTC criados sem lastro

Aproximadamente 3.998,5 L-BTC foram introduzidos no UTXO set do Liquid sem qualquer depósito real de Bitcoin como garantia.

↩️ BTC devolvidos parcialmente

3.400 BTC retornaram à carteira da federação no dia seguinte. Os 598,5 BTC restantes seguem em posse do atacante.

⚠️ Falha de 2016 explorada em 2026

A otimização de cache que originou a vulnerabilidade estava presente no código há uma década antes de ser explorada.

📢 Negociação on-chain pública

O atacante incluiu mensagens em texto simples via OP_RETURN exigindo uma “recompensa” de 10% da federação — negociação visível publicamente na blockchain.

Um detalhe incomum chama atenção: em cada transação de auto-transferência realizada após o ataque, o responsável embutiu uma mensagem em texto puro usando o opcode OP_RETURN, exigindo à federação uma recompensa equivalente a 10% dos fundos como condição para devolver o restante. Toda a negociação ficou registrada e visível publicamente na blockchain, sem qualquer intermediário.

O episódio levanta questões sérias sobre a segurança de sidechains federadas e sobre a prática de manter otimizações legadas em código de infraestrutura crítica. Para entender melhor os fundamentos por trás do Bitcoin e de como funciona sua custódia, confira o guia completo de Bitcoin para iniciantes da KriptoBR.

🔍 Fonte da análise técnica

Segundo a SlowMist, publicado em seu canal no Medium, a investigação percorreu bloco por bloco a partir do registro 4.050.335 e utilizou a plataforma MistTrack para mapear cada salto dos fundos na Bitcoin mainnet. O relatório completo detalha tanto a mecânica técnica do ataque quanto o histórico da vulnerabilidade no codebase.

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Analista de suporte técnico da KriptoBR. Atua no atendimento a clientes de carteiras de hardware e acompanha incidentes de segurança que afetam usuários finais.
Reportagem produzida com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas do setor e revisada pela equipe da KriptoBR antes da publicação. Como produzimos nosso conteúdo.
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Beatriz Pacheco
Analista de suporte técnico da KriptoBR. Atua no atendimento a clientes de carteiras de hardware e acompanha incidentes de segurança que afetam usuários finais.

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