Pesquisadores da ChainSecurity descreveram uma falha na carteira de assinatura compartilhada Vultisig: o app ignorava um sinal de parada crítico, e isso poderia permitir a recuperação da chave privada completa.
A falha na Vultisig foi divulgada em 21 de outubro pela ChainSecurity. Segundo a CryptoSlate, a carteira tratou de forma inadequada um sinal crítico de parada na implementação da assinatura ECDSA. Continuar a troca após o erro poderia permitir que um único signatário já comprometido recuperasse a chave privada inteira.
Os ajustes nos aplicativos para Android e iOS foram incorporados em 21 de agosto, dois meses antes da divulgação pública. Ainda assim, a fonte afirma que as mudanças publicadas não estabelecem uma correção completa.
Como funciona uma carteira MPC
Uma carteira MPC (computação multipartidária) divide a autoridade de assinatura entre partes da chave. Quando o número necessário de partes coopera, elas produzem uma assinatura comum de blockchain, sem reunir a chave privada completa no uso normal.
Num arranjo de dois dispositivos em que ambos são necessários, comprometer um deles deveria deixar o invasor dependente da aprovação do outro. A proteção, porém, só vale se o software mantiver essa exigência quando um participante começa a agir de forma maliciosa.
O que a falha permitia
De acordo com a ChainSecurity, o ataque exigia o comprometimento inicial de um signatário. Esse invasor enviava muitas mensagens de assinatura maliciosas e observava se o outro signatário devolvia erro.
Essas respostas revelavam, aos poucos, bits de uma semente interna reutilizável do protocolo. Com isso, seria possível recuperar a outra parte da chave e, depois, a chave completa.
Uma assinatura que falha também importa
A biblioteca partia do princípio de que a assinatura pararia após o erro crítico, até a troca da semente. O aplicativo mostrava apenas um erro genérico e não impunha essa parada. Recusar a transação, portanto, não bastava: era preciso reagir à falha do protocolo.
O que mudou nos aplicativos
Mudança #5658 incorporada em 21 de agosto e listada na versão v1.0.118, de 25 de agosto. A exceção também evita a recuperação via relay.
Mudança #5235 incorporada em 21 de agosto e listada na versão v1.45.71, da mesma data.
O código antigo comparava falhas de assinatura apenas com o resultado de sucesso da biblioteca, sem tratar separadamente os erros de banimento de participante malicioso. As rotinas podiam repetir a tentativa até três vezes, e o usuário via uma falha genérica.
As novas versões reconhecem os códigos de erro 100 a 109 da biblioteca DKLS, associam o participante sinalizado a um dispositivo, impedem novas tentativas automáticas e exibem alerta para não usar aquele aparelho de novo. A fonte ressalta que o número de tentativas não indica quantas mensagens seriam necessárias para recuperar uma chave.
Pontos ainda sem resposta
A Vultisig tem o Fast Vault, com um dispositivo do usuário e o VultiServer como segundo participante, e o Secure Vault, com dois ou mais aparelhos do usuário. Os materiais analisados não trazem uma tabela completa de versões afetadas e configurações de cofre.
A documentação da empresa diz que a Trail of Bits auditou a biblioteca DKLS23 da Silence Laboratories em 2024. Já os relatórios dos aplicativos móveis e desktop serão linkados quando publicados. A ChainSecurity afirmou que não revisou as correções nem auditou outras partes do protocolo, e as mudanças publicadas deixam sem verificação a proteção em sessões reiniciadas.
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📌 Nota editorial
O caso mostra que carteiras com vários dispositivos dependem de como o software lida com erros. A fonte original é a CryptoSlate.
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