A França se tornou o primeiro país europeu a bloquear o acesso à Polymarket, a maior plataforma de mercados preditivos do mundo, alegando operação ilegal de jogos de azar no território francês.
A autoridade regulatória francesa responsável por jogos e apostas, a ANJ (Autorité Nationale des Jeux), determinou o bloqueio do acesso à Polymarket para usuários localizados na França. A decisão foi publicada nos últimos dias e rapidamente repercutiu no setor de criptomoedas e finanças descentralizadas ao redor do mundo.
Segundo a Todas as Notícias, via Investing.com, o regulador francês classificou a plataforma como um serviço de apostas não autorizado, operando fora das regras estabelecidas para o mercado de jogos no país. ISPs (provedores de internet) franceses foram notificados a restringir o acesso ao site.
Para quem ainda não conhece a Polymarket: trata-se de uma plataforma construída sobre a blockchain Polygon, na qual qualquer pessoa pode criar ou participar de mercados de apostas sobre eventos do mundo real — eleições, decisões de bancos centrais, resultados esportivos, entre outros. Os usuários utilizam stablecoins (como USDC) para realizar suas posições.
O que é um mercado preditivo?
Um mercado preditivo é, de forma simplificada, um ambiente onde participantes apostam no resultado de eventos futuros. O preço de cada “ação” dentro desse mercado reflete, em tempo real, a probabilidade coletiva que os participantes atribuem àquele desfecho.
Se uma opção está sendo negociada a 0,70 USDC (de um máximo de 1 USDC), isso indica que o mercado acredita em 70% de chance de aquele evento ocorrer. Quem acertar a previsão recebe 1 USDC por contrato; quem errar, perde o valor apostado.
Eleições presidenciais, decisões legislativas e referendos são alguns dos temas mais negociados na Polymarket, que ganhou enorme visibilidade durante as eleições dos EUA em 2024.
Decisões do Federal Reserve sobre juros, preço do Bitcoin ao fim do ano e aprovações regulatórias de ETFs também figuram entre os mercados mais ativos da plataforma.
Toda a liquidação é feita via contratos inteligentes na rede Polygon, o que elimina intermediários e torna as transações auditáveis publicamente.
A Polymarket já havia bloqueado usuários dos EUA após pressão do regulador americano CFTC. Agora, é a vez da França. A tendência de escrutínio regulatório parece se ampliar.
Por que a França agiu agora?
A Polymarket viveu seu momento de maior exposição pública durante as eleições presidenciais dos Estados Unidos em 2024, quando a plataforma registrou volumes bilionários e passou a ser citada como uma alternativa às pesquisas eleitorais tradicionais. Esse crescimento exponencial chamou a atenção de reguladores ao redor do mundo.
Na França, a ANJ avalia que a operação se enquadra na definição legal de apostas esportivas e de eventos, categoria que exige licenciamento específico no país. Como a Polymarket não possui tal autorização, a plataforma foi considerada irregular.
Descentralização não garante imunidade regulatória
Embora a Polymarket opere via contratos inteligentes em blockchain — sem um servidor central facilmente bloqueável —, os reguladores têm agido no nível dos provedores de acesso à internet, determinando que o domínio seja inacessível dentro do território nacional. É uma abordagem que contorna a descentralização técnica sem precisar “desligar” a plataforma.
Não é a primeira vez que a Polymarket enfrenta restrições. Em 2022, a empresa pagou US$ 1,4 milhão em multa à CFTC (Commodity Futures Trading Commission) nos Estados Unidos e concordou em bloquear o acesso de cidadãos americanos à plataforma. O episódio atual na França segue trajetória semelhante.
Para quem está começando a entender o universo das criptomoedas e finanças descentralizadas, casos como este ilustram um dos principais desafios do setor: a tensão entre a natureza sem fronteiras das redes blockchain e as jurisdições nacionais. Leia também nosso guia completo de criptomoedas para entender os fundamentos dessa tecnologia.
📌 Nota editorial
As informações desta reportagem são baseadas em fonte da Todas as Notícias, publicadas via Investing.com Brasil. O KriptoHoje não teve acesso ao texto oficial da decisão da ANJ e baseia-se nas informações disponíveis publicamente até a data de publicação.
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