Charles Hoskinson, fundador do Cardano, elevou o tom do debate sobre segurança digital ao afirmar que a computação quântica representa uma ameaça real às criptomoedas — e que ela pode se concretizar antes do que o mercado imagina.
O fundador do Cardano, Charles Hoskinson, declarou publicamente que a probabilidade de a computação quântica comprometer a segurança das criptomoedas antes de 2033 já ultrapassa os 50%. O alerta, divulgado recentemente e reportado pela BeInCrypto, reacende um debate que especialistas em cibersegurança vinham travando nos bastidores — mas que agora chega com força ao centro do ecossistema cripto.
A preocupação central gira em torno da capacidade que computadores quânticos suficientemente avançados teriam de quebrar os algoritmos criptográficos que protegem carteiras digitais e transações em blockchain. Isso inclui o par de chaves pública e privada que sustenta a segurança de praticamente todas as redes descentralizadas existentes hoje, como Bitcoin e Ethereum.
Segundo a BeInCrypto, Hoskinson não apenas sinalizou o risco, como defendeu que o setor precisa agir de forma coordenada e urgente. Para ele, a janela para desenvolver e implementar soluções de criptografia pós-quântica é menor do que a maioria dos projetos está considerando em seus roadmaps.
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O que torna o avanço quântico tão preocupante para o setor
Os computadores tradicionais processam informações em bits — valores de 0 ou 1. Já os computadores quânticos operam com qubits, que podem existir em múltiplos estados simultaneamente, um fenômeno chamado de superposição. Isso lhes confere uma capacidade computacional exponencialmente superior para certos tipos de problemas matemáticos — incluindo exatamente os que sustentam a criptografia de curva elíptica usada no Bitcoin e em outras redes.
Em termos práticos: um computador quântico maduro poderia, em tese, derivar a chave privada de um usuário a partir de sua chave pública — exposta a cada transação. Isso tornaria fundos armazenados em carteiras vulneráveis a ataques, especialmente aqueles mantidos em endereços de uso repetido.
Algoritmos projetados para resistir a ataques de computadores quânticos. O NIST (EUA) já padronizou os primeiros exemplos em 2024.
Empresas como Google, IBM e startups governamentais disputam a corrida para criar processadores quânticos estáveis e escaláveis com centenas de milhares de qubits.
Hoskinson estima probabilidade acima de 50% de a ameaça se concretizar antes dessa data, o que comprime o tempo disponível para adaptação das redes blockchain.
A equipe do Cardano já trabalha em pesquisas de resistência quântica como parte de sua abordagem científica ao desenvolvimento do protocolo.
O setor está preparado para responder?
A questão não é apenas técnica — é também de governança e coordenação. Atualizar os algoritmos criptográficos de uma rede descentralizada como o Bitcoin exige amplo consenso entre mineradores, desenvolvedores e usuários. Esse processo pode levar anos, e a janela para agir, segundo Hoskinson, está se fechando mais rápido do que o esperado.
O que Hoskinson defende
De acordo com a BeInCrypto, o fundador do Cardano argumenta que o ecossistema cripto precisa iniciar agora a migração para padrões de criptografia resistentes a computadores quânticos. Adiar essa transição aumenta o risco de que bilhões de dólares em ativos digitais fiquem expostos a um vetor de ataque que, por ora, ainda não existe em escala — mas que pode surgir dentro de menos de uma década.
Vale lembrar que o Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos EUA (NIST) finalizou em 2024 os primeiros algoritmos pós-quânticos padronizados, como o CRYSTALS-Kyber e o CRYSTALS-Dilithium. A iniciativa sinaliza que governos e grandes instituições já reconhecem a urgência — e que o setor de criptoativos precisa acompanhar o ritmo.
📰 Nota editorial
As declarações de Hoskinson foram originalmente reportadas pela BeInCrypto. O KriptoHoje reescreveu e contextualizou o conteúdo de forma independente, sem reprodução literal da fonte. Para a versão original em inglês, acesse BeInCrypto.
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