A exchange HTX afirmou ter mais de 360 mil USDS em reservas — mas o endereço real na blockchain indicava saldo zero. O episódio acende um alerta sobre a confiabilidade das provas de reserva no setor.
Uma das ferramentas mais citadas para demonstrar transparência no mercado de criptomoedas é a chamada prova de reservas (Proof of Reserves, ou PoR). A ideia é simples: a exchange publica os endereços de carteira onde guarda os ativos dos clientes, e qualquer pessoa pode verificar os saldos diretamente na blockchain. O problema surge quando os números declarados simplesmente não batem com a realidade on-chain.
Foi exatamente isso que investigadores identificaram na HTX, exchange controlada pelo empresário Justin Sun. Segundo levantamento publicado pelo portal Protos, a HTX declarou, em seu relatório de prova de reservas referente a setembro de 2026, possuir 360.949,90 USDS em um endereço específico, no bloco de número 25.876.316. Ao verificar esse mesmo endereço na blockchain, porém, o saldo encontrado era de exatamente zero USDS.
Segundo a Protos, a inconsistência foi confirmada cruzando o endereço divulgado pela exchange com os dados públicos disponíveis na rede. Não havia qualquer movimentação recente que justificasse a diferença — o endereço simplesmente não continha os fundos declarados no momento do bloco indicado pela própria HTX.
O que é prova de reservas — e por que ela importa?
A prova de reservas é um mecanismo pelo qual exchanges publicam dados on-chain para demonstrar que possuem fundos suficientes para cobrir os depósitos dos clientes. Ela ganhou destaque após o colapso da FTX, em 2022, quando ficou evidente que a exchange usava ativos dos clientes de forma indevida. Uma PoR fraudulenta ou imprecisa derrota completamente o propósito do mecanismo.
O caso não se limita apenas ao USDS. A reportagem da Protos aponta que irregularidades semelhantes foram identificadas também em relação ao USDD, stablecoin algorítmica ligada ao ecossistema de Justin Sun. A HTX não teria se manifestado publicamente sobre as discrepâncias até o fechamento da matéria original.
A HTX afirmou possuir 360.949,90 USDS no bloco 25.876.316, conforme seu relatório oficial de prova de reservas de setembro.
O endereço indicado continha saldo zero de USDS no momento exato apontado pela exchange, segundo verificação on-chain publicada pela Protos.
Além do USDS, a reportagem aponta inconsistências também envolvendo o USDD, stablecoin do ecossistema de Justin Sun.
A HTX, anteriormente conhecida como Huobi, é controlada pelo empresário Justin Sun e figura entre as maiores exchanges globais por volume negociado.
Para quem está começando no mundo das criptomoedas, episódios como este reforçam uma lição fundamental: nem toda exchange é transparente, e confiar cegamente em relatórios publicados por corretoras pode ser arriscado. A verificação independente dos dados on-chain — exatamente o que foi feito pela Protos — é o tipo de auditoria que o mercado precisa.
Uma das alternativas mais recomendadas por especialistas em segurança digital é manter os próprios ativos sob custódia pessoal, utilizando carteiras físicas (hardware wallets). Dessa forma, o usuário não depende da honestidade de terceiros para saber que seus fundos existem de fato. Leia também: guia completo de criptomoedas.
📰 Nota editorial
Esta matéria é baseada em reportagem publicada pelo portal Protos, especializado em jornalismo investigativo sobre criptomoedas. O KriptoHoje não teve acesso independente aos dados on-chain e reproduz as informações com base na fonte original. A HTX não havia se pronunciado publicamente sobre o caso até a publicação desta matéria.
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