O Intesa Sanpaolo, maior banco da Itália, reduziu em 99% sua posição em calls do ETF de Bitcoin da BlackRock e triplicou a exposição a Ethereum via staking — sinalizando uma mudança relevante de estratégia cripto.
O Intesa Sanpaolo, maior banco da Itália por ativos totais, promoveu uma mudança expressiva em seu portfólio de criptoativos no segundo trimestre de 2025. Segundo documentos regulatórios analisados pela CryptoSlate, a instituição reduziu em aproximadamente 99% sua posição em opções de compra (calls) sobre o iShares Bitcoin Trust (IBIT), o ETF de Bitcoin da BlackRock, enquanto triplicava suas cotas em um fundo de Ethereum com staking.
A movimentação chama atenção por envolver um dos maiores bancos europeus e por indicar uma possível reavaliação da preferência entre os dois principais criptoativos do mercado. O banco havia adquirido uma posição relevante em calls do IBIT em trimestres anteriores, mas o novo filing registrou uma liquidação quase total dessas opções.
O que os documentos revelam
Segundo a CryptoSlate, o filing referente ao segundo trimestre de 2025 mostra que o Intesa Sanpaolo manteve uma posição equivalente a 500 mil ações em puts do IBIT — contratos que se valorizam quando o preço do ativo cai. Ao mesmo tempo, as cotas em um produto de Ethereum com rendimento de staking foram triplicadas em relação ao período anterior.
É importante ressaltar que os documentos regulatórios não permitem determinar a exposição líquida total do banco em opções, nem revelar a motivação estratégica por trás das operações. Puts podem ser usadas tanto para proteção de carteira (hedge) quanto para apostas direcionais de baixa — e a leitura isolada do filing não esclarece qual é o caso.
Contexto: staking de Ethereum
O staking de Ethereum consiste em bloquear ETH na rede para validar transações e receber recompensas em troca. Com a migração do Ethereum para o mecanismo de Proof of Stake, produtos financeiros que combinam exposição ao ativo com rendimento de staking passaram a atrair interesse institucional crescente. A taxa de retorno anual do staking tem variado entre 3% e 5% ao ano, dependendo do volume total de ETH em staking na rede.
A decisão de triplicar a exposição a Ethereum com staking pode refletir uma busca por retorno recorrente sobre o ativo — diferencial que o Bitcoin, por sua natureza, não oferece nativamente em produtos regulados. Para bancos que operam sob regras rígidas de gestão de risco, a possibilidade de obter rendimento sobre o ativo enquanto mantém exposição ao preço representa um perfil diferente de risco-retorno.
Leia tambem: guia completo de Ethereum.
O movimento institucional em perspectiva
Redução de aproximadamente 99% nas opções de compra sobre o ETF de Bitcoin da BlackRock em relação ao trimestre anterior.
Cotas em fundo de ETH com rendimento de staking foram triplicadas, indicando maior apetite por exposição ao Ethereum.
Posição equivalente a 500 mil ações em puts do IBIT foi registrada, mas seu objetivo — hedge ou aposta direcional — não é esclarecido pelo filing.
Maior banco da Itália por ativos totais, com presença em mais de 40 países e relevância sistêmica no sistema financeiro europeu.
A movimentação do Intesa Sanpaolo ocorre em um momento em que o interesse institucional por Ethereum vem crescendo, impulsionado pela aprovação de ETFs de ETH à vista nos Estados Unidos e pela crescente oferta de produtos com staking embutido em jurisdições europeias. O banco não se pronunciou publicamente sobre as razões da mudança.
📌 Nota editorial
As informações deste artigo são baseadas em análise de documentos regulatórios divulgada pela CryptoSlate. Filings de posições em derivativos refletem um momento específico no tempo e não revelam a estratégia completa de um gestor ou instituição. A exposição líquida real do Intesa Sanpaolo a Bitcoin e Ethereum pode diferir do que os documentos isoladamente sugerem.
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