A empresa-mãe da exchange Kraken venceu uma disputa arbitral de US$ 22 milhões contra a auditora Mazars, que encerrou abruptamente seus serviços ao setor cripto em 2022 — episódio ligado à pressão regulatória americana conhecida como Operação Chokepoint 2.0.
A Payward Inc., empresa controladora da exchange de criptomoedas Kraken, obteve uma vitória expressiva em um processo de arbitragem contra a firma de auditoria Mazars. A decisão determinou o pagamento de US$ 22 milhões à Kraken, como compensação pelos danos causados pelo abandono abrupto dos serviços de auditoria em 2022.
Segundo a Cointelegraph.com News, a Mazars encerrou seus contratos com diversas empresas do setor cripto no final de 2022, em meio a um ambiente regulatório hostil nos Estados Unidos. A Kraken argumentou que a saída repentina da auditora gerou milhões de dólares em prejuízos operacionais e reputacionais.
A disputa foi diretamente associada pela Payward à chamada Operação Chokepoint 2.0, termo utilizado no setor para descrever uma suposta campanha coordenada de autoridades americanas para pressionar instituições financeiras e prestadoras de serviços a se afastarem do mercado de criptoativos — sem que houvesse, necessariamente, ações legais formais.
O que foi a Operação Chokepoint 2.0?
O termo faz referência a uma alegada estratégia do governo dos EUA para isolar o setor cripto do sistema financeiro tradicional, pressionando bancos, auditoras e outros prestadores de serviços a encerrarem contratos com empresas do segmento. O nome é uma alusão à original “Operação Chokepoint”, iniciativa do Departamento de Justiça americano da era Obama voltada a setores considerados de alto risco.
A Mazars havia sido contratada pela Kraken para conduzir auditorias de prova de reservas — um tipo de verificação independente que atesta se uma exchange realmente possui os ativos que alega guardar em nome de seus clientes. Esse processo ganhou ainda mais relevância após o colapso da FTX, em novembro de 2022, que abalou a confiança no setor globalmente.
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A decisão arbitral determinou o pagamento de US$ 22 milhões à Payward Inc., controladora da Kraken, a título de indenização pelos danos causados.
A Mazars encerrou contratos com empresas cripto em 2022 sem conclusão das auditorias de prova de reservas, gerando prejuízos operacionais e de imagem à exchange.
A Kraken vinculou o caso à Operação Chokepoint 2.0, alegando que a saída da Mazars foi motivada por pressão regulatória informal das autoridades americanas sobre o setor.
O serviço contratado era a auditoria de prova de reservas, verificação independente que confirma se a exchange mantém os ativos declarados dos usuários em sua custódia.
O caso reacende o debate sobre a relação entre empresas de auditoria tradicionais e o mercado de criptoativos. Após o colapso da FTX, a Mazars chegou a suspender todos os seus relatórios de prova de reservas para clientes do setor, incluindo Binance, KuCoin e Crypto.com, sob alegação de que o formato não transmitia adequadamente a situação financeira das empresas.
A vitória da Kraken no processo arbitral representa um precedente relevante: empresas cripto passam a ter um caminho legal mais claro para buscar reparação quando prestadores de serviços se afastam do setor sob pressão externa, sem cumprir obrigações contratuais.
📰 Nota editorial
Esta reportagem é baseada em informações divulgadas pela Cointelegraph.com News. O KriptoHoje não teve acesso direto aos documentos do processo arbitral. Detalhes adicionais sobre o caso podem ser atualizados conforme novas informações se tornem públicas.
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