A Ledger lançou a versão 1.22.3 do firmware esclarecendo que o “hack viral” repercutido nas redes já estava corrigido — mas admitiu duas falhas reais que exigiram atenção imediata.
Nas últimas semanas, um suposto ataque à Ledger circulou em fóruns e redes sociais, gerando preocupação entre usuários de hardware wallets. A empresa respondeu oficialmente: a vulnerabilidade que deu origem ao alarde já havia sido corrigida em atualização anterior. No entanto, a investigação interna revelou dois problemas distintos e legítimos, ambos endereçados na versão 1.22.3 do firmware.
Segundo a CryptoSlate, a Ledger detalhou que o chamado “hack” viralizado não representava uma ameaça ativa no momento em que ganhou tração nas redes. Ainda assim, a empresa aproveitou o ciclo de atualização para corrigir duas vulnerabilidades identificadas durante a revisão de segurança conduzida após o episódio.
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As duas falhas reais corrigidas na versão 1.22.3
A atualização endereça problemas concretos que poderiam afetar a experiência de segurança dos usuários em cenários específicos. Ambas as falhas exigiam condições particulares para serem exploradas, mas a Ledger optou por comunicar a correção com transparência.
Uma falha de blind signing permitia que até 257 operações passassem sem exibição adequada dos detalhes na tela do dispositivo, comprometendo a verificação manual pelo usuário antes da confirmação.
A segunda vulnerabilidade envolvia uma brecha limitada na aprovação de swaps, onde uma aprovação poderia ser substituída por outra sem o devido consentimento explícito do usuário, em condições muito específicas.
A Ledger enfatizou que a exploração de ambas as falhas dependia de fatores externos, como a interação com aplicativos maliciosos ou conexão com contratos inteligentes comprometidos. Mesmo assim, a empresa considerou essencial lançar o patch antes que as condições necessárias pudessem ser reproduzidas de forma mais acessível.
O que é blind signing e por que isso importa?
Blind signing ocorre quando um dispositivo assina uma transação sem exibir todos os seus detalhes ao usuário. Isso significa que o titular da carteira confirma uma operação sem saber exatamente o que está autorizando — uma das principais portas de entrada para golpes sofisticados no ecossistema cripto. A Ledger tem trabalhado para reduzir progressivamente esse tipo de exposição em seus dispositivos.
Contexto: o “hack viral” que não era um hack ativo
O episódio que desencadeou toda a discussão foi a circulação de demonstrações técnicas nas redes sociais, apresentadas como evidência de que a Ledger poderia ser comprometida. Pesquisadores de segurança e criadores de conteúdo amplificaram o alerta sem, em muitos casos, verificar se a falha ainda era explorável.
A empresa esclareceu que a vulnerabilidade original, sobre a qual o conteúdo viral se baseava, já havia sido endereçada em uma versão anterior do firmware. O caso reacende o debate sobre a responsabilidade na divulgação de falhas de segurança — e sobre como a desinformação pode gerar pânico desnecessário em comunidades de usuários.
📋 Nota editorial
A recomendação padrão para usuários de hardware wallets é manter o firmware sempre atualizado pela interface oficial do fabricante e nunca confirmar transações cujos detalhes não estejam completamente visíveis na tela do dispositivo. A versão 1.22.3 da Ledger está disponível via Ledger Live.
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