O investigador blockchain ZachXBT afirma que as sanções britânicas à exchange HTX contaminaram carteiras legítimas e tornaram os scores de risco on-chain praticamente inúteis para identificar atividades criminosas reais.
O investigador independente conhecido como ZachXBT voltou a chamar atenção para um problema estrutural no ecossistema de compliance cripto: as sanções impostas pelo Reino Unido à exchange HTX teriam causado um efeito colateral grave, contaminando o histórico de carteiras que não têm qualquer relação com atividades ilícitas.
De acordo com ZachXBT, quando autoridades sancionam uma plataforma inteira — e não indivíduos ou endereços específicos —, qualquer usuário comum que tenha interagido com aquela exchange passa a ter seu endereço blockchain associado a uma entidade sancionada. Isso eleva artificialmente o score de risco on-chain dessas carteiras, mesmo que seus donos nunca tenham cometido qualquer irregularidade.
Segundo a BeInCrypto, ZachXBT argumenta que esse tipo de sanção de “tiro amplo” acaba por inutilizar as ferramentas de análise on-chain, que deveriam servir justamente para diferenciar agentes maliciosos de usuários legítimos. Quando milhares de carteiras inocentes recebem marcações de alto risco, o sinal perde o valor para investigadores e plataformas de compliance.
O que são scores de risco on-chain?
Para quem está começando no universo das criptomoedas, entender esse conceito é fundamental. Empresas especializadas em análise blockchain — como Chainalysis, Elliptic e TRM Labs — atribuem pontuações de risco a endereços de carteiras com base no histórico de transações daquele endereço.
Se uma carteira recebeu fundos de exchanges ligadas a lavagem de dinheiro ou a indivíduos sancionados, seu score sobe. Esse sistema é amplamente usado por exchanges reguladas para decidir se aceitam ou bloqueiam depósitos de determinados endereços. Para uma introdução mais completa ao tema, vale consultar nosso guia completo de criptomoedas.
Indica que a carteira interagiu com endereços ligados a atividades ilícitas ou entidades sancionadas. Pode resultar em bloqueio em exchanges reguladas.
Sugere que a carteira opera apenas com endereços considerados limpos. É o padrão esperado para usuários comuns em plataformas reguladas.
Ocorre quando uma exchange inteira é sancionada. Todos os usuários que operaram nela, mesmo os legítimos, passam a ter histórico associado à entidade punida.
Com muitos falsos positivos no sistema, investigadores têm dificuldade em distinguir criminosos reais de usuários inocentes afetados por sanções mal calibradas.
Por que a crítica de ZachXBT importa?
ZachXBT é um dos investigadores on-chain mais respeitados do setor. Ao longo dos últimos anos, ele foi responsável por rastrear golpes e recuperar pistas sobre roubos bilionários em criptomoedas. Sua opinião sobre ferramentas de análise tem peso justamente porque ele as usa cotidianamente.
O problema do “falso positivo” em massa
Quando uma sanção contamina milhares de carteiras legítimas de uma só vez, o sistema de scoring perde precisão. Para ZachXBT, isso não apenas prejudica usuários inocentes — que podem ter suas contas bloqueadas em outras plataformas —, mas também dificulta o trabalho de quem tenta rastrear crimes reais no blockchain.
O caso da HTX — exchange fundada originalmente como Huobi e posteriormente associada ao empresário Justin Sun — ilustra como decisões regulatórias de um único país podem ter repercussões globais na infraestrutura de compliance do setor cripto.
📌 Nota editorial
As críticas de ZachXBT levantam um debate legítimo sobre como sanções financeiras devem ser aplicadas no mercado cripto. O ideal, segundo especialistas do setor, é que medidas punitivas sejam direcionadas a endereços específicos — e não a plataformas inteiras —, preservando a utilidade das ferramentas de análise de risco.
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