Stablecoins dominam as declarações de criptoativos no Brasil: de uma fatia marginal de 3,5%, elas saltaram para 80% do total informado à Receita Federal, com o USDT concentrando quase 9 em cada 10 reais declarados nessa categoria.
O comportamento dos brasileiros na hora de declarar criptoativos à Receita Federal mudou de forma expressiva nos últimos anos. Se antes o Bitcoin e outras criptomoedas de maior volatilidade dominavam as declarações, os dados mais recentes apontam para uma virada: as stablecoins — ativos digitais atrelados a moedas estáveis, como o dólar — passaram a representar 80% do volume total declarado por pessoas físicas no país.
Segundo a Exame.com, a Receita Federal revelou que essa participação era de apenas 3,5% em períodos anteriores, o que torna a ascensão ainda mais significativa. O órgão tem acompanhado de perto o crescimento das declarações de criptoativos no país, à medida que as obrigações fiscais sobre esses ativos se tornam mais claras e difundidas.
Entre todas as stablecoins declaradas, uma única se destaca de maneira absoluta: o USDT, emitido pela Tether, respondeu por 88,7% desse volume. O dado evidencia não apenas a preferência dos brasileiros por ativos dolarizados, mas também a posição dominante que o USDT ocupa no mercado global de stablecoins.
Por que os brasileiros migram para stablecoins?
A combinação entre instabilidade do real, facilidade de acesso ao dólar digital e a crescente familiaridade com plataformas de criptoativos explica, em parte, o movimento. Guardar valor em USDT permite ao investidor manter exposição ao dólar sem precisar de uma conta bancária internacional — e ainda dentro do ecossistema cripto.
O crescimento das stablecoins nas declarações fiscais também reflete uma mudança de perfil dos detentores de criptoativos no Brasil. Não se trata mais apenas de entusiastas em busca de valorização especulativa: cada vez mais, pessoas físicas utilizam esses ativos como reserva de valor em moeda forte ou como instrumento de proteção cambial dentro do ambiente digital.
A fatia das stablecoins nas declarações saltou de 3,5% para 80% do total de criptoativos informados à Receita Federal por pessoas físicas.
O Tether (USDT) concentrou 88,7% de todo o volume de stablecoins declarado, confirmando sua posição de liderança no mercado brasileiro.
A Receita Federal tem intensificado o monitoramento de criptoativos, com obrigações de declaração que abrangem exchanges nacionais e internacionais.
Parte dos detentores utiliza stablecoins como forma de manter exposição ao dólar sem recorrer a contas bancárias internacionais.
Vale lembrar que o ecossistema de ativos digitais vai muito além das stablecoins. Redes como o Ethereum são a infraestrutura sobre a qual grande parte dessas stablecoins — inclusive o USDT — circulam por meio de contratos inteligentes. Para entender melhor como essa rede funciona, o KriptoBR publicou um guia completo de Ethereum, que explica desde os conceitos básicos até os casos de uso mais avançados.
📋 Contexto editorial
Os dados foram divulgados pela Receita Federal do Brasil e repercutidos pelo portal Exame.com. As informações referem-se às declarações de criptoativos enviadas por pessoas físicas residentes no Brasil, conforme as regras de obrigatoriedade estabelecidas pelo Fisco nos últimos anos.
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