Em menos de dois anos, as stablecoins lastreadas em dólar passaram de uma fatia marginal para quase um terço de todo o volume de criptoativos negociado na maior exchange brasileira.
O crescimento das stablecoins atreladas ao dólar no Brasil ganhou números expressivos. Segundo levantamento divulgado pelo portal Money Times, essas moedas digitais estáveis representavam apenas 4,1% do volume total de criptoativos negociados no Mercado Bitcoin (MB) no primeiro semestre de 2024. No mesmo período de 2026, essa participação saltou para quase 30% — um avanço de mais de sete vezes em dois anos.
O movimento acompanha uma tendência global. O mercado internacional de stablecoins ultrapassou a marca de US$ 320 bilhões em capitalização, e o volume transacionado cresceu aproximadamente 480 vezes nos últimos anos, de acordo com os dados compilados pela reportagem. No contexto brasileiro, o salto indica uma mudança no perfil dos usuários de exchanges nacionais, que passaram a usar essas moedas não apenas como reserva temporária, mas como instrumento ativo de negociação.
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Por que as stablecoins crescem tão rápido no Brasil?
A explicação para esse crescimento tem múltiplas camadas. A volatilidade do real frente ao dólar é um fator recorrente: muitos investidores brasileiros utilizam stablecoins como forma de se posicionar em dólar sem precisar abrir uma conta no exterior ou passar por processos burocráticos. Ao comprar USDT ou USDC numa exchange local, o usuário obtém exposição cambial com liquidez imediata.
Segundo a Money Times, a plataforma Mercado Bitcoin observou essa mudança de comportamento de forma estrutural, não como um pico pontual. Isso sugere que o uso de stablecoins deixou de ser uma estratégia de nicho e passou a integrar o cotidiano de uma parcela crescente dos usuários ativos da exchange.
Participação das stablecoins em dólar saltou de 4,1% para quase 30% do volume total negociado na exchange entre o 1º semestre de 2024 e de 2026.
O mercado mundial de stablecoins supera US$ 320 bilhões em capitalização e registrou expansão de volume da ordem de 480 vezes nos últimos anos.
No Brasil, a exposição cambial acessível via stablecoins é apontada como um dos principais motores da adoção, especialmente em cenários de desvalorização do real.
O uso de stablecoins migrou de reserva temporária para instrumento ativo de negociação, indicando maturidade crescente do investidor cripto brasileiro.
O que são stablecoins e por que elas importam?
Stablecoins são criptomoedas projetadas para manter valor estável, geralmente atreladas a uma moeda fiduciária como o dólar americano. As mais negociadas globalmente são USDT (Tether) e USDC (Circle). Elas permitem que investidores transitem entre ativos voláteis e uma reserva estável sem sair do ecossistema cripto — o que as torna peças centrais na infraestrutura dos mercados digitais.
Regulação no horizonte
O crescimento acelerado das stablecoins também ocorre num momento em que reguladores ao redor do mundo começam a estabelecer marcos legais mais claros para esses ativos. Nos Estados Unidos, projetos de lei específicos para stablecoins avançam no Congresso. No Brasil, o Banco Central acompanha de perto o setor e já sinalizou interesse em regulamentação para preservar a estabilidade do sistema financeiro nacional.
Esse ambiente regulatório em construção pode tanto consolidar a confiança dos usuários quanto impor restrições que alterem a dinâmica atual. Por enquanto, o crescimento dos dados do Mercado Bitcoin aponta que a adoção já antecede qualquer marco formal — e segue em ritmo acelerado.
📌 Nota editorial
Os dados citados nesta reportagem foram originalmente divulgados pelo portal Money Times com base em informações do Mercado Bitcoin. O KriptoHoje realizou apuração independente e reescrita editorial do conteúdo.
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