Um relatório da empresa Decta revela que stablecoins lastreadas no euro e em conformidade com o regulamento MiCA cresceram 128% em capitalização de mercado no período que antecedeu o encerramento da transição regulatória europeia.
O mercado europeu de stablecoins reguladas deu um salto expressivo nos últimos meses. Segundo levantamento da empresa de pagamentos Decta, oito stablecoins lastreadas no euro e em conformidade com o regulamento MiCA (Markets in Crypto-Assets) atingiram uma capitalização de mercado conjunta de US$ 673,9 milhões — alta de 128% no intervalo de um ano que precedeu o encerramento do chamado período de transição do CASP (Crypto-Asset Service Provider) na União Europeia.
A expansão foi registrada entre os projetos que já cumpriram integralmente as exigências do marco regulatório europeu. O MiCA é considerado um dos mais abrangentes conjuntos de regras para criptoativos do mundo, e seu período de adaptação para provedores de serviços se encerrou recentemente, pressionando o setor a se adequar ou deixar o mercado do bloco.
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O que é o MiCA e por que ele importa
Para quem está começando no universo cripto, o MiCA é o regulamento da União Europeia que estabelece regras claras para emissores de criptoativos e prestadores de serviços relacionados. Aprovado em 2023, ele define requisitos de transparência, reservas e governança — especialmente para as chamadas stablecoins, que são criptomoedas projetadas para manter valor estável, geralmente atreladas a uma moeda tradicional como o euro ou o dólar.
Uma stablecoin “conforme com o MiCA” significa que ela passou pelo processo de aprovação regulatória europeia, com auditoria das reservas e autorização de uma autoridade competente dentro do bloco. Isso confere ao produto maior credibilidade institucional — e, aparentemente, também maior adoção.
As oito stablecoins em euro conformes com o MiCA somaram US$ 673,9 milhões em capitalização — crescimento de 128% em um ano.
O prazo de adequação para provedores de serviços cripto (CASP) à regulação MiCA se encerrou, obrigando empresas a cumprir integralmente as novas exigências ou sair do mercado europeu.
O relatório da Decta concentrou sua análise em stablecoins atreladas ao euro, moeda oficial de 20 países da União Europeia.
Os números foram divulgados pela Decta, empresa europeia especializada em processamento de pagamentos e serviços financeiros digitais.
Regulação como catalisador de adoção
Os dados sugerem que a clareza regulatória pode ter atuado como fator de estímulo ao crescimento. Com regras bem definidas, instituições financeiras e empresas de pagamento passaram a considerar as stablecoins em euro um instrumento mais seguro para operações dentro do bloco europeu.
O que diz o relatório da Decta
Segundo a Cointelegraph.com News, o relatório da Decta aponta que a capitalização de mercado das oito stablecoins em euro conformes com o MiCA saltou para US$ 673,9 milhões no ano anterior ao encerramento do período de transição para prestadores de serviços de criptoativos (CASP). O crescimento de 128% no período indica demanda crescente por instrumentos digitais lastreados na moeda europeia dentro de um ambiente regulado.
O movimento contrasta com o cenário das stablecoins em dólar, que ainda dominam o mercado global de forma expressiva. O USDT (Tether) e o USDC (Circle) sozinhos somam dezenas de bilhões de dólares em capitalização. Ainda assim, a trajetória das stablecoins em euro dentro do ambiente regulado europeu aponta para uma consolidação gradual desse segmento.
Para o usuário iniciante, é útil entender que uma stablecoin não é necessariamente “segura” apenas por ser estável em preço. A qualidade das reservas que a sustentam, a transparência do emissor e o cumprimento de regras locais são elementos fundamentais para avaliar a confiabilidade de um projeto desse tipo.
📌 Nota editorial
O MiCA entrou em vigor de forma escalonada: as regras para stablecoins (tokens de moeda eletrônica e tokens referenciados a ativos) passaram a valer em junho de 2024, enquanto as demais disposições, incluindo o regime para prestadores de serviços cripto (CASP), completaram sua implementação no final de 2024. Empresas que operam no mercado europeu sem a devida licença estão sujeitas a sanções das autoridades locais.
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