Reservas em títulos do Tesouro dos EUA não seriam suficientes para proteger Tether e Circle de uma crise de liquidez severa, segundo especialistas ouvidos pela Crypto Briefing — um alerta que reacende o debate regulatório sobre stablecoins.
As duas maiores emissoras de stablecoins do mundo, Tether (USDT) e Circle (USDC), podem estar mais vulneráveis do que aparentam. Segundo análise publicada pela Crypto Briefing, um especialista do setor financeiro levantou preocupações sobre a capacidade dessas empresas de honrar resgates em massa — mesmo que suas reservas sejam compostas majoritariamente por títulos do Tesouro americano (T-bills).
O argumento central é que, em momentos de estresse extremo de mercado, a velocidade dos resgates pode superar a capacidade de liquidação dos ativos em carteira. T-bills, apesar de considerados altamente seguros, não são instantaneamente conversíveis em caixa sem potencial impacto de preço — especialmente em volumes elevados e em janelas de tempo curtas.
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O problema estrutural por trás das reservas
Segundo a Crypto Briefing, o especialista aponta que o modelo de reservas atual das principais stablecoins replica, em parte, as fragilidades observadas em fundos do mercado monetário tradicionais — estruturas que já enfrentaram corridas bancárias no passado, como ocorreu durante a crise financeira de 2008 e novamente em março de 2020.
O risco não está necessariamente na qualidade dos ativos, mas na velocidade de liquidação. Em um cenário de pânico, usuários de stablecoins podem tentar resgatar bilhões de dólares em questão de horas — um ritmo que nenhum portfólio de T-bills consegue absorver sem fricção.
Maior stablecoin do mundo por capitalização de mercado. Reservas compostas principalmente por T-bills americanos, mas auditoria independente ainda é ponto de debate no setor.
Segunda maior stablecoin, amplamente usada no ecossistema DeFi e em redes como Ethereum. Em 2023, sofreu breve descolamento após a quebra do Silicon Valley Bank, onde mantinha parte das reservas.
Em pânico de mercado, usuários podem tentar resgatar bilhões em horas. A velocidade de liquidação dos T-bills pode não acompanhar essa demanda, gerando pressão sobre o lastro.
Governos dos EUA e da UE intensificam a discussão sobre regras para emissores de stablecoins, incluindo requisitos mínimos de liquidez imediata e auditorias obrigatórias.
Ethereum no centro do debate sobre stablecoins
Grande parte da circulação de USDT e USDC acontece sobre a rede Ethereum, que continua sendo a principal infraestrutura para aplicações de finanças descentralizadas (DeFi). Qualquer instabilidade sistêmica nessas stablecoins teria impacto direto sobre o ecossistema Ethereum, dado o volume de contratos inteligentes e protocolos que as utilizam como colateral ou meio de troca.
Contexto: o episódio do SVB em 2023
Em março de 2023, a Circle revelou que mantinha US$ 3,3 bilhões em reservas do USDC depositados no Silicon Valley Bank, que entrou em colapso. O USDC chegou a ser negociado abaixo de US$ 0,87 por alguns dias — evidenciando que mesmo stablecoins lastreadas podem perder a paridade em situações de estresse extremo.
O episódio do SVB serve como referência concreta para o cenário descrito pelos especialistas. A regulamentação surge, nesse contexto, não como obstáculo, mas como possível mecanismo de proteção sistêmica — tanto para os usuários quanto para a integridade dos mercados cripto em geral.
📌 Nota editorial
Esta reportagem é baseada em análise publicada pela Crypto Briefing. O KriptoHoje não endossa nem refuta as projeções do especialista citado. Avaliações de risco em mercados financeiros envolvem incertezas inerentes e devem ser interpretadas com cautela.
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