A Tether e o governo da Geórgia uniram forças para criar a GELT, uma stablecoin atrelada ao lari georgiano — movimento que marca mais um avanço da tokenização de moedas nacionais no mercado cripto global.
A Tether, emissora da maior stablecoin do mundo por capitalização de mercado, confirmou nesta segunda-feira (25) o lançamento de um novo ativo digital em parceria com o governo da Geórgia. O token, batizado de GELT, tem sua paridade fixada ao lari georgiano (GEL) e passa a circular dentro do ecossistema de plataformas de criptomoedas.
A iniciativa coloca a Geórgia em um seleto grupo de nações que buscam representar sua moeda nacional de forma digital em redes descentralizadas. Ao contrário de uma moeda digital de banco central (CBDC), a GELT é emitida por uma empresa privada — a Tether — com respaldo institucional do governo local.
Segundo a Livecoins, a parceria tem como objetivo inserir o saldo financeiro do país em trilhas eletrônicas, ampliando o acesso da população georgiana a serviços baseados em blockchain. A Tether não divulgou detalhes técnicos completos sobre a infraestrutura de rede que sustentará o ativo.
O que é a GELT e como ela funciona
Uma stablecoin atrelada a moeda nacional funciona de maneira similar à USDT (dólar) ou ao EURC (euro): cada unidade emitida corresponde a uma unidade da moeda de referência mantida em reserva. No caso da GELT, a paridade é com o lari georgiano, moeda oficial da Geórgia desde 1995.
Esse modelo permite que usuários transfiram valor em GEL de forma rápida, com custos menores do que os do sistema financeiro tradicional, e sem as barreiras geográficas típicas de remessas internacionais. A utilidade prática dependerá, contudo, da adoção por exchanges e protocolos DeFi que integrem o ativo.
A GELT conta com apoio institucional do governo da Geórgia, diferenciando-se de stablecoins puramente privadas e sem vínculo estatal.
Cada GELT representa uma unidade do lari georgiano, seguindo o modelo já consolidado por stablecoins atreladas ao dólar e ao euro.
Diferente de uma CBDC, a GELT é emitida pela Tether — empresa privada — e não diretamente pelo banco central georgiano.
O objetivo declarado é conectar o sistema financeiro georgiano a redes blockchain, facilitando remessas, pagamentos e acesso a DeFi.
Tether expande além do dólar
A criação da GELT reforça uma estratégia clara da Tether de diversificar seu portfólio de stablecoins para além da hegemonia do dólar americano. A empresa já emite o EURT (euro), o CNHT (yuan offshore) e o MXNT (peso mexicano), entre outros ativos lastreados em moedas locais.
O movimento também acontece em um contexto global em que governos de países menores buscam alternativas para aumentar a inclusão financeira digital de suas populações, sem necessariamente construir a infraestrutura de uma CBDC própria — processo que envolve anos de desenvolvimento regulatório e técnico.
Contexto: tokenização de moedas nacionais
A tokenização de moedas fiduciárias em redes blockchain é uma tendência crescente. Além da Tether, projetos como o EURC da Circle e iniciativas de bancos centrais ao redor do mundo indicam que a fronteira entre finanças tradicionais e criptoativos está cada vez mais permeável. A GELT representa mais um passo nessa direção — desta vez, com a chancela de um governo nacional.
Para quem deseja entender melhor como blockchains públicas — como a Ethereum, frequentemente usada para emissão de stablecoins — funcionam por baixo dos panos, vale conferir o guia completo de Ethereum, que explica desde a infraestrutura de contratos inteligentes até o papel da rede no ecossistema DeFi.
📰 Nota editorial
Esta reportagem é baseada em informações divulgadas pela Livecoins em 25 de agosto de 2025. O KriptoHoje não obteve declaração independente da Tether ou do governo georgiano até o fechamento desta edição. Detalhes técnicos sobre a rede blockchain utilizada e o mecanismo de reservas da GELT ainda não foram divulgados oficialmente.
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