O governo Trump avançou com ordens executivas para acelerar o desenvolvimento quântico nos EUA, mas especialistas em cibersegurança alertam que o Bitcoin e outras criptomoedas ainda não estão preparados para resistir a ataques dessa natureza.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma série de ordens executivas voltadas ao avanço da computação quântica no país. A iniciativa foi bem recebida por líderes da indústria de tecnologia, que veem o movimento como um reconhecimento da urgência estratégica do tema. Contudo, pesquisadores da área de criptografia e segurança digital lançaram um alerta importante: a infraestrutura do Bitcoin — e do mercado de criptoativos como um todo — ainda não está adaptada para enfrentar esse nível de ameaça computacional.
Segundo a Decrypt, especialistas afirmam que os prazos acelerados propostos pelo governo americano refletem uma crescente preocupação com a segurança pós-quântica, tanto para sistemas governamentais quanto para infraestruturas financeiras descentralizadas. A transição para algoritmos resistentes à computação quântica é considerada inevitável, mas complexa — especialmente no caso do Bitcoin, que depende de mudanças de protocolo aprovadas por consenso global.
A criptografia que protege o Bitcoin hoje — baseada em curvas elípticas (ECDSA) — é considerada segura frente aos computadores clássicos. O problema é que computadores quânticos suficientemente potentes poderiam, em tese, quebrar esse tipo de proteção em tempo viável, comprometendo a segurança das carteiras digitais e das transações na rede.
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O que está em jogo na corrida quântica
O protocolo usa o algoritmo ECDSA (Elliptic Curve Digital Signature Algorithm), robusto contra computadores tradicionais, mas potencialmente vulnerável a sistemas quânticos de grande escala.
Computadores quânticos utilizam qubits, que operam de forma radicalmente diferente dos bits clássicos, permitindo processar certos tipos de cálculos exponencialmente mais rápido.
O NIST (Instituto Nacional de Padrões dos EUA) já padronizou novos algoritmos resistentes a ataques quânticos. A adoção por redes como o Bitcoin, porém, exige consenso entre desenvolvedores e mineradores.
Pesquisadores divergem sobre quando computadores quânticos atingirão poder suficiente para ameaçar redes blockchain. Estimativas variam de menos de uma década a 20 anos ou mais.
A preocupação não é apenas teórica. O NIST concluiu em 2024 a padronização dos primeiros algoritmos pós-quânticos, sinalizando que a comunidade científica considera o risco real o suficiente para agir agora. Para redes descentralizadas como o Bitcoin, a atualização de segurança é particularmente desafiadora: não existe uma entidade central que possa simplesmente implementar uma mudança — qualquer alteração estrutural no protocolo precisa ser aceita pela comunidade global de mineradores, desenvolvedores e usuários.
Por que o Bitcoin demora a se adaptar?
Diferente de sistemas centralizados, o Bitcoin não tem um “botão de atualização”. Qualquer mudança no protocolo exige um processo político e técnico extenso, conhecido como BIP (Bitcoin Improvement Proposal). Isso garante descentralização, mas também torna a rede mais lenta para responder a ameaças emergentes como a computação quântica.
Líderes da indústria de tecnologia aplaudiram as ordens executivas de Trump por reconhecerem a corrida quântica como prioridade nacional. Empresas como Google, IBM e startups especializadas já investem bilhões no desenvolvimento de hardware quântico. A disputa geopolítica com a China no setor também pesa na decisão americana de acelerar o ritmo.
📌 Nota editorial
As informações deste artigo são baseadas em reportagem publicada pela Decrypt, veículo especializado em criptomoedas e tecnologia blockchain, disponível em decrypt.co. O KriptoHoje não possui acesso a informações privilegiadas sobre desenvolvimento de protocolo do Bitcoin.
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