Um relatório pós-mortem da Zilliqa revelou que uma falha no processo de geração de entropia em hardware wallet expôs chaves privadas de usuários, permitindo o furto confirmado de 683 milhões de tokens ZIL.
A equipe da Zilliqa divulgou uma análise detalhada de um incidente de segurança que resultou no roubo de 683,13 milhões de tokens ZIL. Segundo o documento, a origem do problema está em uma falha crítica na geração de entropia dentro de um dispositivo hardware wallet — um componente essencial para garantir que as chaves criptográficas sejam verdadeiramente aleatórias e imprevisíveis.
A entropia, no contexto de segurança criptográfica, é a medida de imprevisibilidade usada para gerar chaves privadas. Quando esse processo é comprometido — seja por um bug de firmware, falha de implementação ou descarte indevido de dados aleatórios —, as chaves resultantes podem se tornar previsíveis o suficiente para serem reconstruídas por atacantes.
Segundo a CryptoSlate, o relatório também aponta que a varredura em lote conduzida durante a investigação omitiu um critério mínimo de quatro assinaturas, o que significa que o número real de carteiras afetadas pode ser ainda maior do que o inicialmente estimado.
Como a falha de entropia compromete uma hardware wallet
Hardware wallets são amplamente consideradas o método mais seguro de armazenar criptoativos, justamente porque mantêm as chaves privadas em um ambiente isolado de conexões externas. No entanto, essa proteção pressupõe que o processo de geração das chaves seja robusto desde o início.
No caso documentado pela Zilliqa, o dispositivo em questão aparentemente descartava parte da entropia durante a criação das chaves. Esse tipo de falha pode passar despercebido por anos, já que o dispositivo continua funcionando normalmente — mas as chaves geradas carregam uma fragilidade estrutural que pode ser explorada por quem conhece o padrão do bug.
O dispositivo descartava dados aleatórios durante a geração de chaves, tornando-as matematicamente previsíveis para atacantes que conheciam o padrão da falha.
O volume confirmado de tokens subtraídos é de 683,13 milhões de ZIL, segundo o relatório pós-mortem divulgado pela própria Zilliqa.
A análise em lote omitiu o critério mínimo de quatro assinaturas, sugerindo que o número de endereços vulneráveis pode ser maior do que o relatado.
O dispositivo continuava operando normalmente, sem alertas visíveis ao usuário — o que torna esse tipo de vulnerabilidade especialmente difícil de detectar proativamente.
O que esse caso ensina sobre custódia de ativos digitais
A segurança de uma hardware wallet não depende apenas do hardware em si, mas da qualidade do firmware e do processo de geração de chaves. Fabricantes com histórico comprovado, auditorias públicas de código e atualizações regulares de segurança são critérios fundamentais na escolha de um dispositivo de custódia.
O episódio reforça a importância de compreender como os dispositivos de armazenamento a frio funcionam antes de utilizá-los. Para quem está começando no universo das carteiras físicas, entender conceitos como geração de seed phrases e entropia é tão relevante quanto a escolha do dispositivo em si.
Leia tambem: hardware wallets para iniciantes.
📌 Nota editorial
A Zilliqa não identificou publicamente o fabricante do dispositivo afetado no relatório pós-mortem citado pela CryptoSlate. O KriptoHoje acompanhará desdobramentos do caso e atualizará esta reportagem caso novas informações sejam divulgadas pelas partes envolvidas.
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