A fintech britânica Revolut admitiu que dados sensíveis de usuários — passaportes e registros de Bitcoin incluídos — foram entregues a um endereço de e-mail fraudulento que se apresentava como requisição governamental legítima.
A Revolut, fintech britânica com mais de 50 milhões de clientes ao redor do mundo, confirmou um grave incidente de segurança: a empresa enviou registros confidenciais de usuários — incluindo cópias de passaportes e histórico de transações com Bitcoin — em resposta a uma solicitação que se passava por e-mail oficial de um órgão governamental, mas era, na verdade, fraudulenta.
Segundo a BeInCrypto Brasil, que noticiou o caso, a Revolut acredita ter sido vítima de um ataque de engenharia social — técnica em que criminosos se fazem passar por autoridades ou instituições legítimas para enganar empresas e obter dados sensíveis. A empresa teria seguido protocolos internos de resposta a demandas governamentais sem perceber que o endereço de e-mail utilizado era falso.
O episódio levanta questões sérias sobre os processos de verificação adotados por grandes fintechs ao lidar com pedidos de dados — especialmente quando envolvem informações de identificação pessoal e histórico de ativos digitais dos clientes.
O que foi exposto e quais os riscos para os usuários
Entre os dados comprometidos, a confirmação da própria Revolut aponta para documentos de identificação (como passaportes) e registros relacionados a Bitcoin, o que pode incluir histórico de movimentações e saldos. A natureza dessas informações torna o incidente especialmente delicado: combinados, esses dados podem ser usados em fraudes de identidade, tentativas de extorsão ou até rastreamento de patrimônio digital.
Cópias de passaportes de clientes foram compartilhadas com o endereço fraudulento, expondo dados pessoais sensíveis que podem facilitar crimes de identidade.
Histórico de transações e dados relacionados a Bitcoin dos usuários também foram enviados, o que pode revelar padrões financeiros e patrimônio digital dos afetados.
O ataque não envolveu invasão técnica de sistemas, mas sim a manipulação de processos internos da empresa — uma das formas mais eficazes de obter dados sigilosos.
A Revolut teria seguido seus próprios protocolos ao responder ao pedido, mas sem identificar que o domínio do remetente era fraudulento — evidenciando uma falha nos controles internos.
Por que isso importa para quem tem Bitcoin
Diferente de contas bancárias tradicionais, transações em Bitcoin são públicas e irreversíveis. Se um agente mal-intencionado obtém o histórico de carteiras associado à identidade de uma pessoa, ele pode rastrear o saldo atual, identificar padrões de comportamento financeiro e até planejar ataques direcionados, como o chamado “ataque de US$ 5 por chave inglesa” — jargão do setor para coerção física com o objetivo de obrigar a vítima a entregar suas chaves privadas.
Por isso, especialistas em segurança digital frequentemente recomendam que usuários de criptomoedas evitem manter grandes quantias em exchanges ou fintechs por longos períodos, priorizando o armazenamento em carteiras físicas (hardware wallets) sob custódia própria.
Leia tambem: guia completo de Bitcoin para iniciantes.
O que fazer se você é cliente da Revolut?
Se você usa ou já usou a Revolut e possui ou possuiu Bitcoin na plataforma, fique atento a tentativas de phishing, e-mails suspeitos ou contatos incomuns. Revise a segurança de suas contas — ative autenticação em dois fatores (2FA) onde ainda não tiver feito e considere transferir seus ativos para uma carteira de custódia própria. Acompanhe os comunicados oficiais da Revolut para saber se você está entre os afetados.
📰 Fonte e contexto
As informações deste artigo são baseadas em reportagem da BeInCrypto Brasil, publicada em setembro de 2026. A Revolut ainda não divulgou publicamente o número exato de clientes afetados nem os países envolvidos. O KriptoHoje acompanhará atualizações sobre o caso.
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