Em painel do OranjeBTC Summit 2026, executivos dos dois bancos reconheceram o potencial do crédito garantido por BTC, mas afirmaram que a modalidade ainda depende de segurança, controle de riscos e infraestrutura.
O empréstimo com Bitcoin como garantia está no radar de dois dos maiores bancos do país. Segundo a Portal do Bitcoin, Itaú e Bradesco avaliam oferecer a modalidade no Brasil.
O tema foi discutido nesta quinta-feira (5), durante o OranjeBTC Summit 2026, em São Paulo, no painel “A Próxima Fronteira do Bitcoin”. Participaram Guto Antunes, responsável pela área de ativos digitais do Itaú, e Douglas Corazza, executivo de produtos digitais da Bradesco Custódia e Serviços Financeiros.
Os dois reconheceram o potencial, mas destacaram que a implementação depende de mecanismos de segurança, controle de riscos e infraestrutura operacional. Nenhum banco anunciou data de lançamento ou condições comerciais.
Como funcionaria o empréstimo com Bitcoin
Na modalidade, um investidor poderia obter um empréstimo em reais usando parte dos seus BTC como garantia, sem vender as criptomoedas. Assim, mantém a exposição a uma eventual valorização do ativo.
A proporção entre o valor emprestado e a garantia é o loan-to-value (LTV). Em um exemplo hipotético com LTV de 50%, quem oferece R$ 100 mil em Bitcoin poderia receber R$ 50 mil.
Pode interessar a investidores de longo prazo que precisam de recursos, mas não querem se desfazer das reservas de BTC.
Numa queda forte do preço, o tomador pode precisar reforçar a garantia ou amortizar a dívida. Sem isso, o banco pode vender os bitcoins.
Nos Estados Unidos, a Coinbase lançou em janeiro de 2025 um serviço de empréstimos em USDC com BTC como garantia, via protocolo Morpho, na rede Base. Segundo a fonte, em determinadas operações a liquidação automática ocorre quando a dívida chega a 86% do valor da garantia, podendo haver penalidade.
Itaú já testou garantia tokenizada
Em setembro, Guto Antunes contou que o Itaú testou, no piloto do Drex, um financiamento para pessoa física com um CDB tokenizado como garantia. Contratos inteligentes podem impedir que o mesmo ativo sirva a mais de um empréstimo e automatizar o bloqueio e a liberação da garantia.
O teste, porém, não envolveu Bitcoin. Usar a criptomoeda exigiria proteções adicionais, sobretudo pela oscilação de preço.
Crescimento no Itaú
Desde a abertura da oferta ao varejo, em dezembro de 2024, a base de clientes de cripto do Itaú cresceu 252%, as transações subiram 369% e o volume financeiro negociado avançou 340%, segundo Antunes. O banco prepara compras recorrentes e avalia incluir outros ativos digitais.
Antunes defendeu que os ativos digitais deixem de ser um segmento isolado e entrem em pagamentos, liquidação e crédito. Ele também ressaltou a importância da educação financeira. Já Corazza, do Bradesco, citou a necessidade de soluções robustas de custódia, governança e segurança, além de formas de acompanhar o valor das garantias de forma contínua.
O que isso significa para quem investe no Brasil
Por ora, nada muda: não há produto, prazo ou taxa definidos. Se vier, o crédito seria em reais e lastreado em BTC dentro de bancos regulados.
A regulação também pesa. O Banco Central estabeleceu regras para serviços de ativos virtuais, com exigências de governança, segurança, controles internos e proteção de clientes. Em setembro, Nagel Paulino, chefe de divisão do BC, afirmou que o setor poderá evoluir para oferecer crédito.
Leia também: guia completo de Bitcoin para iniciantes.
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