Durante o OranjeBTC Summit 2026, em São Paulo, Felipe Sant’Ana afirmou que a inteligência artificial elevou o risco de incidentes graves no mercado cripto e que isso pode afetar a preferência por autocustódia.
Os ataques hackers com IA foram apontados como uma ameaça subestimada pelo setor de criptomoedas. O alerta veio de Felipe Sant’Ana, cofundador da Paradigma, no OranjeBTC Summit 2026, realizado na quinta-feira (5), em São Paulo. Segundo a Portal do Bitcoin, ele vê um cenário extremo em que o risco se traduz em catástrofe, embora considere a probabilidade pequena.
O painel foi mediado pelo economista Fernando Ulrich e contou também com Paulo Ghedini. Sant’Ana disse ter se surpreendido com a quantidade de dispositivos de segurança e carteiras que apresentaram vulnerabilidades nos últimos meses.
Para ele, modelos avançados de IA nas mãos de criminosos podem ampliar a capacidade de encontrar e explorar falhas em sistemas financeiros. “Os últimos 12 meses, desde o final do ano passado, aumentaram o risco de que algo catastrófico aconteça”, afirmou.
Ataques hackers com IA e os casos recentes
A preocupação surge após um período de incidentes. Na semana passada, a Binance sofreu uma invasão que resultou no desvio de cerca de US$ 6,34 bilhões em ativos digitais, o maior roubo já registrado no mercado cripto.
A investigação preliminar da corretora cita falsas entrevistas de emprego, softwares maliciosos, computadores comprometidos e o uso indevido de uma ferramenta interna de IA. O caso mostra a complexidade dos sistemas das empresas, mas não comprova que invasores tenham usado IA para descobrir as falhas.
Para Sant’Ana, seus efeitos já aparecem em instituições financeiras, supermercados e empresas cripto.
Segundo ele, continua existindo, mas é mais teórico e distante do que a ameaça da IA.
É importante notar que a possibilidade de falha grave não significa que o protocolo do Bitcoin tenha sido comprometido. Boa parte dos incidentes recentes envolve aplicações, carteiras e sistemas de custódia ao redor das blockchains, e não as regras fundamentais das redes.
Autocustódia pode ter chegado ao pico
Sant’Ana acredita que a autocustódia, prática em que o investidor controla as chaves privadas, pode já ter atingido seu ponto máximo de adoção proporcional. Ele prevê que mais investidores migrem para custódia de instituições financeiras, corretoras e fundos.
Ele reconheceu que mudou de visão. No início, achava que todos deveriam controlar as próprias chaves. Hoje entende que perfis diferentes podem ser mais bem atendidos por modalidades distintas, sobretudo quem não tem conhecimento técnico para administrar esses riscos.
O caso Coldcard
Em julho, uma falha na aleatoriedade usada para gerar chaves privadas em certas carteiras da Coldcard permitiu que criminosos reconstruíssem chaves e retirassem bitcoins sem acesso físico aos dispositivos. Segundo a TRM Labs, em agosto, cerca de 1.816 BTC, então avaliados em US$ 116 milhões, haviam sido desviados de mais de 5.200 endereços. A falha foi corrigida por atualização, mas quem gerou chaves em versões vulneráveis precisa migrar os fundos. Não há evidência de que a IA tenha causado a falha.
Custódia própria ou institucional
Paulo Ghedini disse preferir a praticidade de manter exposição por meio de instrumentos financeiros, em vez de lidar com a guarda técnica dos ativos. Fernando Ulrich comparou o debate ao do ouro: guardar o metal fisicamente ou investir por instrumentos financeiros.
- ✅ Autocustódia: controle direto sobre os recursos, sem depender de intermediários.
- ❌ Custo da autocustódia: o usuário assume a proteção das chaves, os backups e os erros operacionais.
- ❌ Custódia institucional: alivia responsabilidades, mas traz riscos de segurança, gestão e situação financeira da instituição.
O que isso significa para quem investe no Brasil
O debate ocorreu em São Paulo e dialoga com o investidor brasileiro, que também decide entre manter bitcoins em corretoras, fundos ou carteiras próprias. A discussão mostra que nenhuma opção elimina riscos: cada uma troca um tipo de responsabilidade por outro.
Leia também: guia completo de Bitcoin para iniciantes.
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