O debate sobre stablecoins mudou: bancos centrais de todo o mundo não questionam mais se elas representam risco — agora a disputa é sobre quem terá o poder de regulá-las e controlá-las.
Durante anos, autoridades monetárias trataram as stablecoins com ceticismo ou relativo descaso. Esse cenário mudou. Segundo a CryptoSlate, no dia 20 de abril, Pablo Hernandez de Cos, diretor-geral do Bank for International Settlements (BIS) — o chamado “banco dos bancos centrais” —, classificou a cooperação global sobre stablecoins como “criticamente importante”, sinalizando uma virada na postura das instituições financeiras tradicionais.
O BIS, com sede em Basileia, na Suíça, é a principal instância de coordenação entre os bancos centrais do mundo. Quando sua liderança usa o termo “criticamente importante”, a mensagem não é retórica: é um chamado direto à ação regulatória coordenada entre nações.
Da especulação à ameaça concreta
A mudança de tom reflete o crescimento expressivo do mercado de stablecoins nos últimos anos. Ativos como USDT e USDC já movimentam trilhões de dólares por ano em transações globais, funcionando como infraestrutura de liquidação para exchanges, protocolos DeFi e, cada vez mais, para pagamentos transfronteiriços.
Esse volume passou a chamar a atenção das autoridades não apenas pelo tamanho, mas pelo que representa: circuitos de pagamento que operam fora do controle direto dos bancos centrais. Para instituições acostumadas a ditar as regras do sistema monetário, isso é inédito.
No ecossistema cripto, o Ethereum é a principal rede onde stablecoins circulam. A maior parte das transações com USDC e DAI, por exemplo, ocorre em contratos inteligentes sobre a blockchain Ethereum. Para entender como esse ecossistema funciona, confira o guia completo de Ethereum.
O BIS pede que países alinhem suas regulações para evitar que stablecoins criem brechas jurisdicionais exploráveis por emissores privados.
O volume anual movimentado por stablecoins já rivaliza com sistemas de pagamento tradicionais, justificando a preocupação das autoridades monetárias.
A questão central não é mais a existência das stablecoins, mas quem definirá as regras: governos, emissores privados ou organismos multilaterais.
A blockchain Ethereum é a principal infraestrutura por onde stablecoins circulam globalmente, tornando-a peça-chave nesse debate regulatório.
O que os bancos centrais temem de verdade
O principal receio não é uma crise imediata de liquidez, mas um processo mais lento e estrutural: a desintermediação bancária. Se cidadãos e empresas passarem a preferir stablecoins privadas para guardar valor e realizar pagamentos, os bancos centrais perdem progressivamente a capacidade de transmitir política monetária — juros, compulsório, emissão.
Há também a preocupação com stablecoins atreladas ao dólar dominando mercados de países com moedas mais frágeis, como ocorre informalmente em economias da América Latina e África. Esse fenômeno, apelidado de “dolarização cripto“, já é observado em países como Argentina e Venezuela.
O ponto central do BIS
Segundo a CryptoSlate, o diretor-geral do BIS, Pablo Hernandez de Cos, argumentou que nenhum país conseguirá regular stablecoins de forma eficaz de maneira isolada. A natureza global e sem fronteiras desses ativos exige marcos regulatórios coordenados internacionalmente — caso contrário, emissores simplesmente migrarão para jurisdições mais permissivas.
O alerta do BIS ecoa discussões que já ocorrem em paralelo em Bruxelas, Washington e Brasília. A União Europeia avançou com o regulamento MiCA, que inclui regras específicas para emissores de stablecoins. Nos EUA, o debate no Congresso sobre uma lei federal para stablecoins se arrasta, mas ganhou urgência em 2024 e 2025.
No Brasil, o Banco Central acompanha o tema de perto dentro de sua agenda de Real Digital e ativos virtuais, reconhecendo que stablecoins em dólar já circulam amplamente entre investidores e empresas brasileiras que operam com criptoativos.
📌 Contexto editorial
As declarações do BIS foram feitas em 20 de abril de 2025 e reportadas originalmente pela CryptoSlate. O KriptoHoje recontextualiza o tema para o leitor brasileiro, sem relação comercial com nenhuma das stablecoins mencionadas.
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