A rede Ethereum completou 11 anos em 30 de julho de 2025, consolidando-se como a principal plataforma pública para stablecoins e finanças descentralizadas — mas enfrenta pressão crescente de receita na camada base.
Em 30 de julho de 2015, os primeiros usuários geraram e carregaram o bloco gênese da rede Frontier, dando início à história do Ethereum. Onze anos depois, a blockchain fundada por Vitalik Buterin acumula conquistas expressivas — e também desafios que moldam seu próximo ciclo de desenvolvimento.
Segundo a CryptoSlate, o Ethereum hospeda atualmente US$ 148 bilhões em stablecoins, mantendo a posição de maior infraestrutura pública para emissão e circulação desse tipo de ativo. Ao mesmo tempo, a receita diária gerada pela mainnet — as taxas pagas pelos usuários para processar transações na camada base — recuou a apenas US$ 330 mil, o menor patamar em anos.
A queda na receita da mainnet reflete uma mudança estrutural no ecossistema: boa parte da atividade migrou para as redes de camada 2 (Layer 2), como Arbitrum, Optimism e Base, que processam transações a custos muito menores e repassam apenas um resumo criptográfico à camada base do Ethereum. O modelo beneficia o usuário final, mas comprime as taxas cobradas diretamente na rede principal.
Para saber mais sobre como o Ethereum funciona, acesse o guia completo de Ethereum.
Uma década de marcos e transformações
Ao longo de seus primeiros onze anos, o Ethereum atravessou momentos que testaram a resiliência de sua comunidade e de seu código. A crise da DAO em 2016, que levou a um controverso hard fork e à divisão entre Ethereum e Ethereum Classic, foi o primeiro grande teste. A rede sobreviveu e saiu mais robusta do episódio.
O capítulo mais recente e tecnicamente ambicioso foi o The Merge, concluído em setembro de 2022, quando o Ethereum abandonou o mecanismo de prova de trabalho (Proof of Work) e adotou a prova de participação (Proof of Stake). A transição reduziu o consumo energético da rede em cerca de 99,95%, segundo estimativas da Fundação Ethereum.
O Ethereum é a principal infraestrutura pública para emissão e circulação de stablecoins no mundo, liderando com folga sobre outras redes.
A receita da mainnet atingiu um dos menores níveis históricos, pressionada pela migração da atividade para redes Layer 2.
Transição para Proof of Stake reduziu o consumo energético da rede em aproximadamente 99,95%, segundo a Fundação Ethereum.
O primeiro bloco da rede Frontier foi carregado pelos usuários há exatamente 11 anos, marcando o nascimento oficial do Ethereum.
O dilema da camada base no segundo ciclo
A tensão entre adoção ampla e sustentabilidade econômica da mainnet é o principal debate do segundo ciclo do Ethereum. As redes Layer 2 cumprem o papel de tornar a tecnologia acessível, mas o modelo atual transfere a geração de valor — e de receita — para fora da camada base.
Contexto: o que está em jogo para o ETH
Com a receita da mainnet em queda, pesquisadores e desenvolvedores do ecossistema debatem ajustes no modelo de taxas e no papel do ETH como ativo de liquidação. A tese central é que, mesmo com atividade migrada para Layer 2, o Ethereum permanece como a camada de liquidação final — e que o valor de longo prazo do ativo depende de como esse papel será precificado pelos mercados.
O crescimento dos ativos tokenizados e das finanças descentralizadas (DeFi) também compõe o balanço de 11 anos. Protocolos de empréstimo, exchanges descentralizadas e fundos tokenizados em renda fixa movimentam dezenas de bilhões de dólares sobre a infraestrutura Ethereum, consolidando sua posição como a camada de liquidação preferida do setor institucional.
📰 Nota editorial
As informações sobre receita diária e volume de stablecoins foram reportadas originalmente pela CryptoSlate com base em dados de monitoramento on-chain. O KriptoHoje reescreveu e contextualizou o conteúdo para o leitor brasileiro.
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