Uma pesquisa com empresas do setor de criptoativos aponta que 60% delas avaliam positivamente o marco regulatório do Banco Central para stablecoins — mas o debate sobre transparência e auditorias está longe de encerrado.
A regulação das stablecoins no Brasil pelo Banco Central (BC) segue gerando debate no mercado. Segundo levantamento divulgado pela Exame, 60% das empresas que atuam com criptoativos consideram que a regulamentação editada pelo BC foi benéfica para o segmento de stablecoins. A avaliação positiva indica maior confiança institucional, mas o setor ainda aponta lacunas importantes a serem endereçadas.
Stablecoins são criptomoedas criadas para manter um valor estável, geralmente atrelado a uma moeda fiduciária como o dólar ou o real. Elas são amplamente usadas em operações de câmbio, transferências internacionais e como porta de entrada para o ecossistema cripto. Se você ainda não conhece esse universo, vale conferir o guia completo de criptomoedas.
O que o mercado aprovou — e o que ainda preocupa
Segundo a Exame.com, a pesquisa ouviu empresas que operam diretamente com criptoativos no país. A maioria reconhece que a atuação do BC trouxe mais clareza jurídica e sinalizou ao mercado internacional que o Brasil está construindo um ambiente regulatório estruturado para ativos digitais.
Ainda assim, parte das empresas consultadas destacou a necessidade de auditorias independentes sobre as reservas que lastreiam as stablecoins em circulação. A preocupação não é nova: episódios internacionais de colapso de ativos que se diziam estáveis acenderam um alerta global sobre a importância de verificações externas e transparentes.
60% das empresas do setor consideram que a regulação do Banco Central foi favorável ao desenvolvimento do mercado de stablecoins no Brasil.
Empresas defendem auditorias independentes sobre as reservas que lastreiam stablecoins, como forma de aumentar a confiança de investidores e usuários.
A regulamentação trouxe definições mais claras sobre o funcionamento e os requisitos para emissores de stablecoins atuarem no país.
A atuação do BC posiciona o Brasil como um dos países emergentes com framework regulatório mais avançado para ativos digitais.
Contexto: o que é a regulação do BC para stablecoins
O Banco Central do Brasil publicou normas que estabelecem requisitos para emissores de ativos virtuais com paridade cambial — categoria que inclui as stablecoins lastreadas em moeda estrangeira. Entre as exigências estão regras sobre capitalização, governança e reporte de informações às autoridades monetárias.
Por que stablecoins precisam de regulação?
Diferente de criptomoedas como o Bitcoin, as stablecoins prometem manter um valor fixo. Para isso, precisam ter reservas correspondentes — em dinheiro, títulos ou outros ativos — que garantam essa paridade. Sem fiscalização, não há como o usuário saber se essas reservas existem de fato. A regulação entra justamente para exigir essa comprovação e proteger quem utiliza esses ativos no dia a dia.
O tema ganhou urgência global após o colapso da stablecoin algorítmica TerraUSD (UST) em 2022, que gerou perdas bilionárias e acelerou o movimento regulatório em diversos países. No Brasil, o BC vem conduzindo consultas públicas e publicando normas de forma gradual, buscando equilibrar inovação e proteção ao consumidor.
📰 Nota editorial
Os dados mencionados nesta reportagem foram publicados originalmente pela Exame. O KriptoHoje reapresentou as informações com linguagem acessível para leitores iniciantes, sem alterar os dados originais da pesquisa.
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