A B3, maior bolsa de valores da América Latina, avança em um ambicioso projeto para representar ações em blockchain, emitir sua própria stablecoin — a B3RL — e redesenhar os mecanismos de liquidação do mercado de capitais brasileiro ainda em 2025.
A Bolsa de Valores do Brasil (B3) está estruturando o lançamento de duas iniciativas que podem marcar uma virada na forma como o mercado de capitais nacional opera. De acordo com informações publicadas pelo Portal do Bitcoin, a bolsa planeja representar ações em blockchain por meio de tokens e criar uma stablecoin institucional batizada de B3RL, lastreada no real.
O movimento acompanha uma tendência global de tokenização de ativos do mundo real — os chamados RWAs (Real World Assets). Bancos centrais, bolsas e instituições financeiras ao redor do planeta vêm explorando o uso de redes distribuídas para tornar a negociação e a liquidação de ativos mais eficiente, rápida e transparente.
Segundo a Portal do Bitcoin, a B3 pretende testar novos modelos de liquidação que aproveitem as características do ambiente blockchain, como a liquidação atômica — onde a transferência do ativo e o pagamento ocorrem simultaneamente, eliminando riscos de contraparte. A stablecoin B3RL seria o instrumento de pagamento dentro desse ecossistema.
A B3 estuda representar ações listadas na bolsa como tokens em blockchain, permitindo negociação e liquidação em infraestrutura descentralizada.
A stablecoin institucional da B3, lastreada no real brasileiro, funcionaria como meio de pagamento e liquidação dentro do ecossistema tokenizado da bolsa.
Modelos de liquidação atômica em teste eliminam o intervalo entre negociação e transferência, reduzindo riscos operacionais e de contraparte.
O movimento da B3 segue tendência de bolsas internacionais e bancos centrais que exploram a tokenização de RWAs como próximo estágio dos mercados financeiros.
A iniciativa da B3 insere o Brasil em um debate que envolve as maiores infraestruturas financeiras do mundo. No cenário global, projetos como o Projeto Agorá — coordenado pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS) junto a sete bancos centrais, incluindo o Banco Central do Brasil — já testam a integração entre moedas digitais de banco central (CBDCs) e ativos tokenizados em plataformas unificadas.
Por que isso importa para o mercado cripto?
A tokenização de ações pela maior bolsa do país representa um passo concreto em direção à convergência entre o mercado financeiro tradicional e a infraestrutura de blockchain. Se bem-sucedida, a iniciativa pode abrir precedente regulatório e tecnológico para que outros ativos — fundos, títulos públicos e até commodities — sigam o mesmo caminho no Brasil.
No contexto regulatório brasileiro, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) já sinalizou abertura para o tema. A autarquia publicou normas e sandboxes regulatórios nos últimos anos que pavimentaram o terreno para projetos como este. A participação da B3 adiciona peso institucional ao avanço da tokenização no mercado de capitais do país.
Para quem acompanha o universo cripto, entender como o Bitcoin e os demais ativos digitais se encaixam nesse novo cenário financeiro é fundamental. Leia também: guia completo de Bitcoin para iniciantes.
📌 Nota editorial
As informações sobre os planos da B3 foram publicadas originalmente pelo Portal do Bitcoin. O KriptoHoje reescreveu e contextualizou o conteúdo de forma independente. Detalhes técnicos e cronogramas definitivos ainda não foram divulgados oficialmente pela bolsa.
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