Cerca de 40 grandes bancos norte-americanos, incluindo JP Morgan e Goldman Sachs, devem participar de um projeto-piloto para testar ações digitais e fundos tokenizados em blockchain, em parceria com a câmara de compensação DTCC.
O sistema financeiro tradicional dos Estados Unidos está prestes a dar um passo significativo em direção à tecnologia blockchain. Segundo reportagem da Exame, aproximadamente 40 bancos americanos devem integrar um programa-piloto liderado pela DTCC (Depository Trust & Clearing Corporation), entidade responsável pela liquidação e compensação de grande parte dos ativos negociados no mercado financeiro americano.
O objetivo do projeto é testar a tokenização de ativos — processo pelo qual títulos tradicionais, como ações e cotas de fundos de investimento, são convertidos em representações digitais registradas em uma rede blockchain. Entre as instituições esperadas para participar estão nomes de peso como JP Morgan e Goldman Sachs, dois dos maiores bancos de investimento do mundo.
Para quem está chegando agora ao universo dos ativos digitais, vale entender o básico: leia também nosso guia completo de criptomoedas para compreender os conceitos fundamentais que envolvem essa nova camada da economia digital.
O que é tokenização e por que os bancos se interessam
Tokenização é a conversão de um ativo real — como uma ação, um imóvel ou uma cota de fundo — em um token digital registrado em blockchain. Esse token representa a propriedade ou direitos sobre o ativo original e pode ser transferido, negociado ou fracionado com muito mais eficiência do que os instrumentos financeiros convencionais.
Para os bancos, o interesse é direto: a tecnologia promete reduzir o tempo de liquidação das operações, diminuir custos operacionais e aumentar a transparência das transações. Atualmente, a liquidação de ações nos EUA leva até dois dias úteis (modelo T+2). Com blockchain, essa janela poderia ser comprimida para minutos ou até segundos.
Transações em blockchain podem ser liquidadas em minutos, contra os atuais dois dias úteis do mercado tradicional americano.
A automação via contratos inteligentes elimina intermediários e camadas de reconciliação, cortando despesas operacionais.
O registro imutável em blockchain permite rastrear cada etapa da negociação, reduzindo riscos de erros e fraudes.
Ativos tokenizados podem ser fracionados, abrindo a possibilidade de acesso a investidores menores a títulos antes restritos.
O papel da DTCC no projeto
A DTCC é uma das instituições mais críticas da infraestrutura financeira americana. Ela processa trilhões de dólares em transações todos os anos e serve como contraparte central para boa parte do mercado de capitais dos EUA. Seu envolvimento no piloto confere ao projeto uma credibilidade institucional que vai além de experimentos isolados de bancos individuais.
Segundo a Exame, a iniciativa ainda está em fase de estruturação, mas a expectativa é que o piloto envolva tanto ações com características de criptoativos quanto fundos de investimento registrados em blockchain. Os detalhes técnicos e regulatórios ainda precisam ser definidos em conjunto com os participantes e, possivelmente, com reguladores como a SEC.
Contexto: a corrida global pela tokenização
O movimento americano não acontece no vácuo. Bancos centrais e instituições financeiras da Europa, Ásia e América Latina também exploram projetos de tokenização de ativos. O Banco de Compensações Internacionais (BIS) e o próprio Banco Central do Brasil, com o Drex, fazem parte dessa tendência global de digitalização do sistema financeiro.
📰 Nota editorial
As informações sobre o piloto foram relatadas pela Exame com base em fontes do setor financeiro. O KriptoHoje reproduz e contextualiza os dados com caráter informativo. Detalhes finais do projeto, como cronograma e participantes confirmados, ainda podem sofrer alterações.
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