A rede Base, desenvolvida pela Coinbase, ativou o upgrade Azul na mainnet — um passo técnico relevante que combina dois sistemas de prova distintos e aproxima a rede do nível máximo de descentralização.
A Base, rede de segunda camada (layer-2) desenvolvida pela Coinbase sobre o Ethereum, ativou na semana passada o chamado upgrade Azul em sua rede principal (mainnet). A atualização representa um avanço concreto em direção ao chamado Stage 2 de descentralização, o nível mais elevado dentro do modelo de maturidade amplamente utilizado para avaliar redes layer-2.
Para quem está começando no universo cripto, uma rede layer-2 funciona como uma camada construída sobre uma blockchain principal — no caso, o Ethereum — com o objetivo de processar transações de forma mais rápida e barata, herdando parte da segurança da rede-mãe. Você pode entender melhor esse ecossistema no guia completo de criptomoedas.
O que muda com o upgrade Azul
Segundo a The Defiant, a principal novidade do Azul é a ativação das chamadas multiprovas (multiproofs) na mainnet. O sistema combina dois mecanismos distintos de verificação criptográfica: as provas de conhecimento zero (ZK proofs) e os ambientes de execução confiável (TEE — Trusted Execution Environment).
Na prática, isso significa que a rede passa a exigir que múltiplos sistemas independentes concordem com o estado das transações antes de finalizá-las. O objetivo é reduzir a dependência de um único ponto de controle e tornar o sistema mais robusto contra falhas ou ataques.
Provas criptográficas que permitem verificar a validade de uma transação sem revelar seus dados internos. São consideradas o padrão mais seguro para redes layer-2.
Ambiente isolado de execução em hardware que garante que o código rode de forma protegida, sem interferência externa — mesmo do operador do sistema.
O upgrade também resultou em uma queda de 99% nos chamados blocos vazios — aqueles processados sem transações reais, que desperdiçam recursos da rede.
Modelo de maturidade criado pelo pesquisador Vitalik Buterin e outros especialistas para classificar o grau real de descentralização de uma rede layer-2.
Por que o Stage 2 importa
O modelo de estágios classifica redes layer-2 em uma escala de 0 a 2. No Stage 0, a rede ainda depende fortemente de seus criadores para operar com segurança. No Stage 1, há algum nível de proteção por provas criptográficas, mas ainda existem “trapdoors” — brechas que permitem que a equipe desenvolvedora intervenha. O Stage 2 é o patamar em que a rede opera de forma genuinamente autônoma, sem que nenhuma entidade centralizada possa reverter transações unilateralmente.
Contexto: onde a Base está hoje
A Base ainda não atingiu o Stage 2 com o upgrade Azul — mas deu um passo estrutural nessa direção. A ativação de multiprovas é um dos requisitos técnicos para que redes layer-2 sejam consideradas suficientemente descentralizadas. Segundo a The Defiant, a combinação de ZK e TEE já em produção coloca a Base em posição diferenciada em relação a outras redes concorrentes no ecossistema Ethereum.
A Base é uma das redes layer-2 de maior crescimento no ecossistema Ethereum, tendo se tornado um destino relevante para aplicações de finanças descentralizadas (DeFi), tokens e NFTs. A ligação com a Coinbase — uma das maiores exchanges de criptomoedas do mundo — traz tanto credibilidade quanto questionamentos sobre o grau real de independência da rede.
O upgrade Azul não altera diretamente a experiência do usuário final, mas sinaliza uma evolução na infraestrutura de segurança da rede — algo que tende a ganhar relevância à medida que mais capital e aplicações migram para camadas secundárias do Ethereum.
📰 Nota editorial
As informações sobre o upgrade Azul foram reportadas originalmente pela The Defiant, publicação especializada em DeFi e infraestrutura blockchain. O KriptoHoje reescreveu e contextualizou o conteúdo para leitores brasileiros.
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