O Banco Central do Brasil marcou para 30 de junho o lançamento oficial do sistema de duplicata escritural — infraestrutura que pode adotar blockchain e movimentar até R$ 10 trilhões em crédito no país.
O Banco Central do Brasil anunciou, na última quarta-feira (25), que o sistema de duplicata escritural será oficialmente lançado no dia 30 de junho. A iniciativa representa uma das maiores reformas na infraestrutura de crédito comercial do país nas últimas décadas e abre espaço para o uso de tecnologias como o blockchain na gestão desses títulos.
A duplicata escritural é uma versão digital e registrada em plataformas eletrônicas do tradicional título de crédito utilizado no comércio entre empresas. Diferentemente do modelo em papel, o novo sistema exige que todas as duplicatas sejam registradas em entidades registradoras autorizadas pelo BC, garantindo rastreabilidade, segurança jurídica e redução de fraudes.
Segundo a Exame, o potencial econômico da medida é expressivo: estimativas apontam que o mercado de duplicatas pode injetar até R$ 10 trilhões em liquidez no sistema financeiro brasileiro ao longo dos próximos anos, ampliando o acesso ao crédito para empresas de diferentes portes, especialmente pequenas e médias.
Como o blockchain entra nessa equação
O uso de tecnologia de registro distribuído (DLT), categoria que inclui o blockchain, não é obrigatório no novo sistema, mas está entre as opções tecnológicas que as entidades registradoras podem adotar. A arquitetura descentralizada oferece vantagens como imutabilidade dos registros, auditabilidade em tempo real e maior interoperabilidade entre instituições financeiras.
A possibilidade de tokenizar duplicatas sobre infraestrutura blockchain alinha o novo sistema às movimentações mais amplas do próprio BC, que já avança com o Real Digital (DREX) e a tokenização de ativos financeiros. A convergência dessas iniciativas pode criar um ecossistema de crédito digital inédito no Brasil.
Versão eletrônica e registrada da duplicata mercantil. Substitui o título físico e exige cadastro em plataformas autorizadas pelo Banco Central, aumentando segurança e rastreabilidade.
Estimativas indicam potencial de R$ 10 trilhões em liquidez ao sistema financeiro, ampliando o acesso ao crédito para pequenas e médias empresas em todo o Brasil.
A tecnologia de registro distribuído não é obrigatória, mas é permitida. Registradoras podem usá-la para garantir imutabilidade, auditabilidade e interoperabilidade dos títulos.
O sistema será oficialmente lançado em 30 de junho de 2025, conforme anúncio do Banco Central feito em 25 de junho, encerrando um longo processo de regulamentação.
Conexão com o DREX e a tokenização
A duplicata escritural caminha em paralelo ao projeto do Real Digital (DREX), a moeda digital do Banco Central brasileiro. Ambas as iniciativas apontam para um sistema financeiro com maior uso de registros digitais verificáveis — o que, na prática, aproxima o mercado de crédito tradicional das estruturas já exploradas pelo setor de criptoativos, como contratos inteligentes e liquidação automatizada.
Para o mercado de criptomoedas e ativos digitais, o avanço da duplicata escritural é um sinal relevante: a infraestrutura regulatória brasileira segue evoluindo em direção a sistemas digitais auditáveis, o que tende a criar mais familiaridade institucional com conceitos como tokenização e registros em blockchain.
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📰 Fonte desta reportagem
As informações desta matéria são baseadas em reportagem publicada pela Exame em 25 de junho de 2025. O KriptoHoje reescreveu e contextualizou o conteúdo para o universo de ativos digitais e blockchain. Acesse o original em exame.com.
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