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BIS critica stablecoins e defende depósitos tokenizados

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O Banco de Compensações Internacionais (BIS) levantou questionamentos sérios sobre o papel das stablecoins no sistema financeiro global, defendendo os depósitos tokenizados como caminho mais seguro.

Pablo Hernández de Cos, gerente-geral do BIS (Bank for International Settlements), usou o palco do tradicional Simpósio de Política Econômica de Jackson Hole para expor o que considera fragilidades estruturais das stablecoins — e para propor uma alternativa concreta: os depósitos tokenizados.

O simpósio de Jackson Hole é um dos eventos de política econômica mais acompanhados do mundo, reunindo banqueiros centrais, reguladores e acadêmicos. A presença do tema de ativos digitais no debate reforça o peso crescente que o setor cripto passou a ocupar na agenda das grandes instituições financeiras internacionais.

Segundo a Livecoins, Hernández de Cos argumentou que as stablecoins carregam problemas de fundo que as impedem de cumprir o papel de “futuro do dinheiro” — uma narrativa bastante difundida no setor. Entre os pontos levantados pelo executivo estão riscos de liquidez, ausência de garantias robustas e uma dependência excessiva da confiança no emissor privado.

⚠️ Riscos apontados nas stablecoins

Falta de garantias sólidas, risco de corridas bancárias digitais, dependência de emissores privados e ausência de supervisão equivalente à dos bancos tradicionais.

🏦 O que são depósitos tokenizados?

São representações digitais de depósitos bancários convencionais em blockchain, mantendo a supervisão regulatória e as garantias do sistema bancário tradicional.

A proposta dos depósitos tokenizados parte de um princípio diferente: em vez de criar um novo instrumento financeiro com lógica própria — como fazem as stablecoins —, trata-se de levar os depósitos bancários já existentes para infraestruturas de blockchain, preservando as proteções regulatórias já consolidadas, como a cobertura de seguros de depósitos e a supervisão dos bancos centrais.

Fed também esteve no debate

Também presente em Jackson Hole, Kevin Warsh, presidente do Federal Reserve (Fed), participou do simpósio em um momento em que o banco central americano enfrenta pressões sobre sua política monetária. A convergência de pautas — dinheiro digital, stablecoins e regulação — no mesmo evento sinaliza que o tema saiu do nicho e entrou definitivamente na agenda dos grandes reguladores globais.

A postura do BIS não é nova: a instituição já vinha, em relatórios anteriores, sinalizando ceticismo em relação às criptomoedas privadas como substitutos do dinheiro soberano. O que muda agora é o tom mais propositivo — em vez de apenas criticar, o banco passa a indicar caminhos alternativos dentro do sistema regulado.

Para quem acompanha o mercado de criptoativos, o debate é relevante: stablecoins como USDT e USDC movimentam trilhões de dólares anualmente e são peça central na infraestrutura de exchanges e protocolos DeFi. Qualquer restrição regulatória baseada nas críticas do BIS poderia ter impacto direto no ecossistema cripto global.

📌 Nota editorial

As declarações de Hernández de Cos refletem a visão institucional do BIS, que representa bancos centrais de diversas nações. Elas não necessariamente se traduzem em regulação imediata, mas costumam antecipar tendências regulatórias que surgem nos países membros nos meses e anos seguintes.

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