O Bitcoin chegou ao menor patamar em dois meses, recuando abaixo dos US$ 69 mil em meio a uma sequência de resgates em ETFs institucionais e sinais de esfriamento na atividade on-chain.
O Bitcoin atingiu a cotação mais baixa desde setembro, operando abaixo dos US$ 69 mil em um movimento que combina saída de capital institucional, liquidações em massa e perda de tração entre usuários na rede. O recuo reacende o debate sobre a sustentabilidade do rali que levou a criptomoeda aos picos históricos registrados nas semanas anteriores.
Segundo o portal The Block, os ETFs de Bitcoin à vista nos Estados Unidos registraram saídas líquidas acumuladas de US$ 3,45 bilhões ao longo de 11 pregões consecutivos — uma das sequências de resgates mais prolongadas desde a aprovação desses produtos pela SEC, no início de 2024. O movimento indica que gestores e investidores institucionais estão, ao menos momentaneamente, reduzindo sua exposição ao ativo.
O mercado de derivativos também sentiu o impacto. De acordo com os dados citados pela publicação, aproximadamente US$ 742 milhões em posições alavancadas foram liquidadas no período, com a maior concentração em apostas compradas — o que amplificou a pressão vendedora e acelerou a queda dos preços.
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Demanda “materialmente mais fraca” e queda on-chain
Além do fluxo institucional negativo, analistas apontam para um resfriamento no interesse on-chain — métricas que medem a atividade diretamente na blockchain do Bitcoin, como número de transações, novos endereços ativos e volume transferido. A expressão usada por analistas consultados pelo The Block foi “demanda materialmente mais fraca”, sugerindo que a pressão não é apenas técnica, mas reflete uma retração genuína no apetite por novas posições.
Esse tipo de indicador costuma ser monitorado de perto por traders e pesquisadores de mercado como um termômetro do engajamento real da rede, independente do comportamento especulativo em bolsas e plataformas de derivativos.
US$ 3,45 bilhões em resgates líquidos acumulados ao longo de 11 pregões consecutivos nos ETFs de Bitcoin à vista nos EUA.
Aproximadamente US$ 742 milhões em posições alavancadas foram liquidadas, com maior concentração em apostas compradas.
Indicadores de uso da rede Bitcoin recuaram, sinalizando menor engajamento de usuários e redução no volume de transações orgânicas.
O BTC operou abaixo de US$ 69 mil pelo primeiro vez em dois meses, revertendo parte dos ganhos acumulados no rali recente.
Contexto: o que são ETFs de Bitcoin à vista?
Os ETFs de Bitcoin à vista são fundos negociados em bolsa que detêm Bitcoin diretamente como ativo subjacente. Aprovados pela SEC americana em janeiro de 2024, esses produtos permitem que investidores institucionais e de varejo acessem o Bitcoin por meio de corretoras tradicionais, sem precisar custodiá-lo diretamente. O fluxo de entrada e saída nesses fundos tornou-se um dos principais indicadores de sentimento institucional no mercado cripto.
O cenário atual contrasta com o otimismo que marcou as semanas anteriores, quando o Bitcoin se aproximou de máximas históricas impulsionado justamente pelo forte ingresso de capital via ETFs. A reversão desse fluxo, combinada ao enfraquecimento das métricas on-chain, configura um ambiente de maior cautela entre participantes do mercado.
📰 Nota editorial
As informações sobre fluxos de ETFs, liquidações e métricas on-chain foram publicadas originalmente pelo The Block, portal especializado em notícias e dados do mercado de criptoativos. O KriptoHoje reescreveu e contextualizou o conteúdo para o público brasileiro.
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