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BlackRock pressiona OCC contra limite em reservas tokenizadas

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A maior gestora de ativos do mundo entrou em rota de colisão com o regulador bancário americano ao rejeitar uma proposta que limitaria o uso de fundos tokenizados como reserva de stablecoins.

A BlackRock enviou uma carta formal ao Office of the Comptroller of the Currency (OCC), o principal regulador de bancos federais dos Estados Unidos, pedindo que a agência descarte uma proposta que estabeleceria um teto de 20% sobre reservas tokenizadas em stablecoins. Segundo a gestora, a medida colocaria em risco o crescimento do seu fundo de ativos digitais, o BUIDL.

O fundo BUIDL — sigla para BlackRock USD Institutional Digital Liquidity Fund — opera na blockchain e investe principalmente em títulos do Tesouro americano de curtíssimo prazo e acordos de recompra. Lançado em 2023, ele se tornou um dos maiores exemplos de tokenização de ativos do mundo real, categoria que vem ganhando espaço nas discussões regulatórias globais.

O ponto central do embate é a proposta do OCC de limitar em 20% a parcela das reservas de stablecoins que pode ser composta por ativos tokenizados. Para a BlackRock, esse percentual é arbitrário e ignora as características de segurança e liquidez que esses instrumentos já oferecem na prática. Para entender melhor o universo dos ativos digitais, acesse este guia completo de criptomoedas.

O que está em jogo com o teto de 20%

A proposta do OCC faz parte de um conjunto de diretrizes em construção para regulamentar as stablecoins nos EUA, especialmente após a aprovação do GENIUS Act no Senado americano. O projeto de lei busca criar um marco legal claro para emissores dessas moedas estáveis, exigindo que as reservas sejam compostas por ativos de alta liquidez e baixo risco.

O problema, segundo a BlackRock, é que o OCC classificaria os cotas do BUIDL como ativos de risco elevado para fins de composição de reserva — ao contrário dos títulos do Tesouro físicos, que são aceitos sem restrições. A gestora argumenta que isso cria uma assimetria regulatória injustificada, já que o fundo nada mais é do que uma versão digitalizada desses mesmos títulos.

🏦 Fundo BUIDL

Lançado pela BlackRock em 2023, investe em títulos do Tesouro americano tokenizados na blockchain e é um dos maiores fundos de ativos reais digitalizados do mundo.

📜 GENIUS Act

Projeto de lei aprovado no Senado dos EUA que cria regras para emissores de stablecoins, exigindo reservas em ativos líquidos e seguros como condição de operação.

🔐 OCC

O Office of the Comptroller of the Currency é o regulador federal bancário dos EUA. Tem poder de definir quais ativos bancos e emissores de stablecoins podem manter em carteira.

🪙 Tokenização de ativos

Processo de representar ativos financeiros tradicionais — como títulos ou fundos — em forma de tokens digitais em uma blockchain, permitindo maior rastreabilidade e liquidez.

O que diz a BeInCrypto

Segundo a BeInCrypto, a BlackRock argumentou diretamente ao OCC que o teto de 20% sobre reservas tokenizadas ameaçaria o crescimento do fundo BUIDL. A gestora defende que cotas do fundo sejam tratadas da mesma forma que os títulos do Tesouro físicos nas regras de composição de reserva de stablecoins.

O movimento da BlackRock reflete uma tensão crescente entre os grandes players institucionais do mercado financeiro e os reguladores que ainda buscam enquadrar os ativos digitais em categorias tradicionais de risco. Para a gestora, tratar de forma distinta um ativo tokenizado e sua versão convencional não faz sentido econômico nem jurídico.

A discussão ganha relevância no contexto mais amplo da tokenização de ativos do mundo real — segmento que, segundo projeções do setor, pode movimentar trilhões de dólares nos próximos anos. Qualquer limitação regulatória imposta agora pode definir o ritmo de adoção institucional dessa tecnologia nos Estados Unidos e, por consequência, globalmente.

📌 Nota editorial

Esta notícia é baseada em informações publicadas pela BeInCrypto. O KriptoHoje reescreveu e contextualizou o conteúdo para o público brasileiro. Recomendamos consultar a fonte original para detalhes técnicos adicionais.

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CEO da KriptoBR, Revenda oficial de carteiras de hardware no Brasil. Acompanha a evolução regulatória do setor de criptoativos no país e seus efeitos práticos sobre quem guarda os próprios ativos.
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Jefferson Rondolfo
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