Enquanto Bitcoin e Ethereum ainda debatem atualizações contra a ameaça quântica, empresas de carteiras digitais já correm para blindar seus produtos — e o relógio não para.
A computação quântica ainda não é uma realidade comercial consolidada, mas já funciona como um catalisador de urgência para o setor de criptomoedas. Empresas que desenvolvem carteiras digitais estão adiantando investimentos em criptografia pós-quântica para não serem pegas de surpresa quando — e se — computadores quânticos poderosos o suficiente se tornarem acessíveis.
Segundo a Decrypt, diversas companhias do mercado já estão implementando ou testando algoritmos resistentes a ataques quânticos em seus produtos, mesmo antes que as próprias redes do Bitcoin e do Ethereum adotem proteções equivalentes nos seus protocolos base.
O problema central está na criptografia de curva elíptica (ECC), usada hoje para proteger chaves privadas nas principais blockchains. Computadores quânticos suficientemente avançados poderiam, em teoria, reverter esse mecanismo e derivar a chave privada a partir de uma chave pública exposta — comprometendo fundos que nunca foram movimentados e cujos endereços já foram revelados on-chain.
Endereços que já reutilizaram chaves públicas ou que nunca movimentaram fundos seriam os mais vulneráveis a um eventual ataque quântico em larga escala.
Fabricantes de hardware wallets e provedores de carteiras de software já testam algoritmos padronizados pelo NIST como CRYSTALS-Kyber e CRYSTALS-Dilithium para substituir a ECC.
Mesmo que as carteiras sejam atualizadas, a proteção só é completa quando as próprias blockchains — Bitcoin e Ethereum — implementarem suporte nativo a assinaturas pós-quânticas.
O Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos EUA (NIST) finalizou em 2024 os primeiros algoritmos pós-quânticos aprovados, dando base técnica para a migração do setor.
No caso do Ethereum, pesquisadores e desenvolvedores do ecossistema já discutem propostas de atualização de protocolo que contemplem assinaturas resistentes a computadores quânticos. No entanto, qualquer mudança nesse nível exige consenso amplo da comunidade e testes extensivos — um processo que pode levar anos.
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A lacuna que preocupa especialistas
Mesmo que uma carteira implemente criptografia pós-quântica no lado do usuário, a transação ainda precisa ser validada pela rede usando os mecanismos atuais. Isso significa que a proteção real só existirá quando protocolo e carteira estiverem alinhados. Até lá, a indústria trabalha em camadas de mitigação — não em soluções definitivas.
A corrida não é apenas técnica: é também comercial. Empresas que conseguirem oferecer carteiras com credencial “quantum-safe” tendem a ganhar vantagem competitiva à medida que o tema ganha atenção institucional. Bancos, custodiantes e fundos já monitoram a evolução do tema como parte de suas análises de risco de longo prazo.
Por ora, o consenso entre pesquisadores é que um computador quântico capaz de quebrar a ECC usada em Bitcoin e Ethereum ainda está a pelo menos uma década de distância — mas o setor prefere não apostar nesse prazo.
📰 Nota editorial
Esta reportagem é baseada em informações publicadas pela Decrypt. O KriptoHoje reescreveu e contextualizou o conteúdo de forma independente para o público brasileiro.
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