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CoinEx nega envolvimento em fluxo de US$ 3,8 bi ao Irã

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Relatório da empresa de inteligência blockchain TRM Labs aponta US$ 3,84 bilhões em criptoativos transitando entre a exchange CoinEx e mais de 60 plataformas iranianas sob sanções internacionais.

A CoinEx, exchange de criptomoedas com sede em Hong Kong, emitiu uma nota negando ter tido qualquer conhecimento de que sua plataforma teria sido utilizada para facilitar transações com entidades iranianas sujeitas a sanções internacionais. A declaração veio após a publicação de um relatório pela empresa de análise blockchain TRM Labs, que mapeou fluxos bilionários entre a exchange e uma rede de plataformas no Irã.

Segundo a Decrypt, a TRM Labs identificou mais de US$ 3,84 bilhões em movimentações ligando contas da CoinEx a mais de 60 plataformas iranianas que figuram em listas de entidades sancionadas por autoridades dos Estados Unidos e de outros países. O levantamento representa um dos maiores volumes já documentados envolvendo uma exchange centralizada e jurisdições restritas.

Para quem está conhecendo o universo das criptomoedas agora, é importante entender o contexto: exchanges centralizadas são plataformas que funcionam como intermediárias na compra e venda de ativos digitais, e por isso estão sujeitas a regulamentações e obrigações de conformidade, como a verificação de identidade dos usuários e o monitoramento de transações suspeitas. Confira nosso guia completo de criptomoedas para entender melhor como esse mercado funciona.

O que diz a CoinEx e o que diz a TRM Labs

Em resposta ao relatório, a CoinEx afirmou que opera com sistemas de conformidade e que não teria como identificar, de forma proativa, que determinados usuários estariam vinculados a entidades sancionadas no Irã. A exchange destacou que nenhuma autoridade regulatória teria entrado em contato formalmente com a empresa sobre o assunto até o momento da publicação da nota.

Já a TRM Labs sustenta que os dados obtidos por meio da análise on-chain — ou seja, diretamente no registro público das blockchains — são suficientes para demonstrar a conexão entre as partes. A empresa é conhecida por fornecer ferramentas de rastreamento de ativos digitais para governos, bancos e outras instituições financeiras ao redor do mundo.

🏛️ O que são sanções?

Sanções são restrições impostas por governos ou organismos internacionais que proíbem transações financeiras com determinados países, empresas ou indivíduos. No mercado cripto, exchanges são obrigadas a bloquear usuários dessas listas.

🔍 O que é análise on-chain?

É o rastreamento de transações diretamente nos registros públicos de uma blockchain. Como todas as movimentações ficam gravadas de forma permanente, empresas como a TRM Labs conseguem mapear fluxos de recursos entre endereços de carteiras digitais.

US$ 3,84 bilhões em foco

A cifra levantada pela TRM Labs equivale, em escala, ao PIB anual de países inteiros. Para o mercado cripto, casos como esse reforçam a pressão regulatória global sobre exchanges que operam sem controles robustos de conformidade — especialmente em relação a jurisdições sancionadas como o Irã, Cuba e Coreia do Norte.

Contexto regulatório e impacto para o setor

O caso da CoinEx se insere em um cenário mais amplo de pressão regulatória sobre exchanges centralizadas. Nos últimos anos, plataformas como Binance, Kraken e BitMEX enfrentaram processos e multas bilionárias de autoridades dos EUA por falhas em programas de conformidade antilavagem de dinheiro e por permitir acesso a usuários de países sancionados.

A OFAC (Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros, do Departamento do Tesouro dos EUA) é o principal órgão responsável por aplicar sanções no âmbito financeiro americano, e suas listas de entidades restritas valem também para operações com criptoativos. Exchanges que descumprem essas obrigações podem ser multadas ou impedidas de operar no mercado norte-americano.

📌 Nota editorial

As informações sobre os fluxos financeiros foram divulgadas pela TRM Labs e noticiadas pela Decrypt. A CoinEx não foi formalmente indiciada ou acusada por qualquer autoridade até o momento da publicação desta reportagem. O KriptoHoje acompanhará eventuais desdobramentos do caso.

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