O diretor de investimentos da Bitwise projeta uma mudança estrutural no DeFi: protocolos que começarem a distribuir receita aos detentores de tokens podem ver suas avaliações dobrarem em até dois anos.
Matt Hougan, diretor de investimentos da Bitwise Asset Management, publicou uma análise apontando que as avaliações de ativos cripto no segmento DeFi têm potencial de dobrar caso os protocolos passem a vincular formalmente suas receitas aos respectivos tokens. A tese ganha força em um momento em que aplicações descentralizadas acumulam volumes expressivos de taxas, mas ainda distribuem pouco — ou nada — aos holders.
Segundo a Cointelegraph.com News, Hougan estima que esse movimento de captura de receita deve se espalhar por aplicações DeFi e redes layer-1 ao longo dos próximos 12 a 24 meses. Para ele, o mercado ainda não precifica adequadamente os fluxos de caixa gerados por esses protocolos — e quando isso mudar, as avaliações tendem a reagir com força.
A lógica é parecida com a de empresas tradicionais que passam a distribuir dividendos: ao demonstrar que o token tem direito a uma parcela da receita do protocolo, a percepção de valor muda. Hoje, muitos protocolos geram dezenas ou centenas de milhões de dólares em taxas anuais, mas seus tokens funcionam mais como instrumentos de governança do que como ativos de rendimento.
Leia também: o que é DeFi e como funciona.
Como funciona o mecanismo de captura de receita
Os chamados mecanismos de captura de receita funcionam de formas variadas: recompra de tokens com parte das taxas geradas (buybacks), distribuição direta proporcional ao stake, ou queima de tokens para reduzir a oferta circulante. Todos têm em comum o objetivo de criar uma conexão mais direta entre o desempenho financeiro do protocolo e o valor do seu token.
O protocolo usa parte das taxas arrecadadas para recomprar seus próprios tokens no mercado aberto, reduzindo a oferta e potencialmente sustentando o preço.
Holders que travam seus tokens no protocolo recebem uma parcela proporcional das taxas geradas, transformando o token em um ativo com rendimento recorrente.
Uma parte das taxas é usada para destruir tokens permanentemente, reduzindo a oferta total e gerando pressão deflacionária sobre o ativo ao longo do tempo.
Quando a governança passa a incluir decisões sobre distribuição de receita, o token de governança deixa de ser simbólico e passa a ter peso econômico concreto.
Avaliações subprecificadas: a tese central de Hougan
Para o CIO da Bitwise, o mercado ainda avalia tokens DeFi como instrumentos puramente especulativos. À medida que mais protocolos adotem modelos formais de distribuição de receita, investidores institucionais terão métricas comparáveis às de ativos tradicionais — como múltiplos de P/L — para fundamentar posições. Isso, segundo ele, pode ser o catalisador para uma reavaliação ampla do setor.
A expectativa de Hougan também dialoga com um debate mais antigo no ecossistema: o chamado “fee switch”, mecanismo pelo qual protocolos como o Uniswap discutem há anos a possibilidade de redirecionar parte das taxas de negociação aos holders do token UNI. A resistência histórica a esse tipo de mudança tem raízes regulatórias e de governança — mas o cenário vem mudando gradualmente.
Redes layer-1 também entram nessa equação. Blockchains que já implementam alguma forma de queima de taxas — como o Ethereum após o EIP-1559 — servem de referência para o argumento de que a conexão entre uso da rede e valor do token é tecnicamente viável e economicamente relevante.
📌 Nota editorial
A análise de Matt Hougan foi reportada originalmente pela Cointelegraph.com News. Projeções de mercado envolvem incertezas significativas e não devem ser interpretadas como garantia de resultados futuros.
Importante: não damos recomendação de investimento
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O KriptoHoje não é consultor de investimentos e não recomenda a compra, venda ou manutenção de qualquer ativo. Investimento em criptoativos envolve risco elevado de perda total.
Guarde seus cripto com segurança máxima
A KriptoBR, integrante do mesmo grupo do KriptoHoje, é a maior e mais antiga revenda oficial de hardware wallets do mundo. Trezor, Ledger, SecuX, Yubico e Key-ID.
Mais de 600 mil clientes atendidos em 32 países. Envio direto do Brasil, garantia do fabricante, suporte técnico em português.
Leituras relacionadas
🔗 Layer-1 vs Layer-2: qual a diferençaSaiba o que distingue as blockchains de base das soluções de escalonamento e como cada camada gera valor.
💼 O que é a Bitwise Asset ManagementConheça a gestora americana especializada em cripto que administra bilhões em ativos digitais institucionais.
Este conteúdo é de caráter informativo e não constitui recomendação de investimento. Criptomoedas são ativos voláteis; consulte um profissional antes de investir.
