A interrupção da rede Liquid, causada por um ataque que subtraiu 4 mil bitcoins, deixou a stablecoin brasileira Depix sem operação — mesmo sem ter sido alvo direto dos hackers.
Três dias após um ataque cibernético comprometer a reserva da rede Liquid, a infraestrutura segue paralisada para envios e recebimentos. O incidente, que ocorreu no domingo (6), resultou no roubo de 4 mil bitcoins das reservas da rede — e suas consequências se espalharam para além dos ativos diretamente atingidos.
O Depix, considerado a primeira stablecoin lastreada no real brasileiro emitida dentro do ecossistema Liquid, não foi comprometido pelo ataque em si. Porém, por depender da mesma rede para funcionar, o token ficou inacessível para milhares de brasileiros que o utilizam como alternativa de transferência e reserva de valor em moeda nacional.
Segundo a Livecoins, usuários do Depix começaram a manifestar preocupação nas redes sociais ao perceber que não conseguiam movimentar seus saldos. A confusão inicial levou muitos a acreditar que a stablecoin havia sido diretamente hackeada — o que não corresponde à realidade. O problema está na camada de infraestrutura: a própria Liquid Network.
A stablecoin em BRL não foi alvo dos invasores. Seus contratos e reservas permanecem intactos — o bloqueio é operacional, não de segurança.
Após o roubo de 4 mil bitcoins de sua reserva, a rede suspendeu transferências. Qualquer ativo que dependa da Liquid — incluindo o Depix — ficou sem liquidez.
Usuários que dependem do Depix para transferências em reais digitais ficaram sem acesso aos fundos durante o período de paralisação.
A equipe por trás da Liquid trabalha para restabelecer as operações, mas sem prazo definitivo confirmado publicamente até o momento da publicação desta reportagem.
O que é a Liquid Network e por que o Depix depende dela
A Liquid Network é uma sidechain do Bitcoin, desenvolvida pela Blockstream, projetada para permitir transferências rápidas e confidenciais de ativos digitais entre exchanges e usuários avançados. Ela opera de forma paralela à blockchain principal do Bitcoin, com sua própria estrutura de validação e reservas.
O Depix foi construído sobre essa infraestrutura justamente por suas características técnicas: velocidade de liquidação, baixo custo e suporte a ativos emitidos na rede (os chamados Liquid Assets). Isso significa que, quando a Liquid trava, o Depix inevitavelmente para junto — independentemente de sua própria segurança interna.
Dependência de infraestrutura: um risco pouco discutido
O caso do Depix evidencia um risco frequentemente ignorado por usuários de stablecoins: a dependência da rede subjacente. Mesmo que o ativo em si seja seguro e bem colateralizado, uma falha na infraestrutura que o sustenta pode render o token inutilizável por dias — sem que haja qualquer falha no protocolo da stablecoin em si.
O ataque à Liquid e o rastro de 4 mil bitcoins
O incidente que desencadeou toda a situação foi um ataque contra a reserva da Liquid Network, executado no domingo (6). Os invasores conseguiram subtrair o equivalente a 4 mil bitcoins — um volume expressivo que forçou a suspensão temporária de todas as transações na rede como medida de contenção.
A paralisação foi uma resposta deliberada dos operadores da rede para evitar que novos ativos fossem comprometidos enquanto a extensão do dano era avaliada. Contudo, a medida teve efeito colateral imediato: todo e qualquer ativo que circula pela Liquid — incluindo o Depix — ficou congelado.
📰 Nota editorial
Segundo a Livecoins, portal especializado em criptomoedas que acompanhou o caso desde o início, o Depix não foi hackeado e suas reservas estão intactas. A ausência de liquidez é consequência direta da suspensão da Liquid Network, e não de qualquer falha de segurança no próprio token.
O episódio reacende o debate sobre os riscos de construir soluções financeiras sobre infraestruturas com pontos únicos de falha. Para usuários que dependem do Depix no dia a dia, a distinção técnica entre “o ativo está seguro” e “o ativo está acessível” tem pouca relevância prática enquanto os fundos permanecem inacessíveis.
Leia tambem: como blindar suas criptomoedas contra roubos.
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