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EIP-7702: 63% dos primeiros usos ligados a ataques

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Pesquisadores rastrearam as primeiras transações do EIP-7702, nova função de carteira inteligente do Ethereum, e encontraram um padrão preocupante: 63% das autorizações históricas estavam conectadas a contratos associados a agentes maliciosos.

O EIP-7702 foi uma das mudanças mais aguardadas da atualização Pectra do Ethereum, ativada em maio de 2025. A proposta permite que carteiras comuns — as chamadas EOAs (Externally Owned Accounts) — adquiram temporariamente comportamentos de contratos inteligentes, abrindo caminho para experiências mais flexíveis e recursos avançados de segurança. No entanto, os dados iniciais de uso acendem um alerta importante.

Segundo a CryptoSlate, pesquisadores analisaram o histórico de transações de autorização geradas pelo EIP-7702 logo após sua ativação e concluíram que 63% delas estavam vinculadas a contratos identificados como maliciosos. As perdas totais associadas a esse padrão foram estimadas em US$ 2,36 milhões.

O mecanismo explorado é direto: o EIP-7702 introduz um novo tipo de transação que permite a uma carteira “delegar” seu comportamento a um contrato externo. Se o usuário for enganado a assinar uma delegação para um contrato malicioso, o atacante pode assumir o controle da conta e drenar seus fundos — sem precisar da chave privada do dono.

⚡ Por que o EIP-7702 atraiu atacantes tão cedo?

Novas funcionalidades de alto impacto em redes como o Ethereum historicamente atraem tanto desenvolvedores legítimos quanto agentes maliciosos nas primeiras semanas. O EIP-7702, por conceder poderes ampliados a carteiras comuns, cria uma superfície de ataque inédita — especialmente para usuários que ainda não compreendem o que estão assinando.

Vale destacar que o padrão observado não representa uma falha no protocolo em si. O EIP-7702 funciona conforme projetado. O problema está na engenharia social: usuários são induzidos a assinar transações de delegação disfarçadas de interações legítimas com dApps ou serviços de carteira.

Leia tambem: guia completo de Ethereum.

O que os dados revelam sobre os primeiros adotantes

A análise segmentou as transações de autorização em dois grupos: aquelas conectadas a contratos de projetos legítimos e auditados, e aquelas vinculadas a endereços previamente sinalizados por plataformas de segurança on-chain. O resultado foi desequilibrado: a maioria absoluta das autorizações iniciais partiu do lado malicioso.

🔍 63% de autorizações maliciosas

Pesquisadores identificaram que a maior parte das primeiras transações EIP-7702 estava ligada a contratos com histórico de atividade fraudulenta.

💸 US$ 2,36 milhões em perdas

O valor total estimado drenado por meio de delegações maliciosas nas semanas iniciais após a ativação do EIP-7702.

🛡️ Protocolo sem falha técnica

Os ataques não exploram vulnerabilidade no código do EIP-7702, mas sim a falta de familiaridade dos usuários com o novo tipo de transação.

⚠️ Engenharia social como vetor

Vítimas foram induzidas a assinar delegações maliciosas por meio de interfaces falsas que imitavam serviços legítimos da rede Ethereum.

Para a comunidade de segurança Web3, o cenário reforça uma lição recorrente: recursos que ampliam capacidades também ampliam riscos, sobretudo no período imediatamente após o lançamento, quando usuários ainda estão aprendendo a identificar o que estão autorizando.

📌 Nota editorial

Os dados citados nesta reportagem foram apurados e publicados originalmente pela CryptoSlate. O KriptoHoje reprocessou e contextualizou as informações para o leitor brasileiro. Recomendamos a leitura da fonte primária para acesso às metodologias detalhadas da pesquisa.

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