Companhias que apostaram na estratégia de acumular Bitcoin como principal ativo enfrentam uma reversão abrupta: juntas, perderam cerca de US$ 80 bilhões em valor de mercado enquanto desfazem posições na criptomoeda.
O modelo das chamadas bitcoin treasury companies — empresas que passaram a acumular Bitcoin como reserva estratégica central de seus negócios — está mostrando sinais evidentes de esgotamento. Segundo o Financial Times, essas companhias acumularam perdas combinadas de aproximadamente US$ 80 bilhões em valor de mercado, enquanto muitas delas voltam a priorizar suas atividades originais e vendem parte das reservas em criptomoedas.
A estratégia ganhou notoriedade sobretudo após a MicroStrategy — hoje rebatizada como Strategy — transformar sua tese de negócio ao redor da aquisição massiva de Bitcoin. O movimento inspirou dezenas de outras companhias ao redor do mundo a replicar o modelo, atraindo investidores que viam nas ações dessas empresas uma forma indireta de se expor ao ativo digital sem precisar custodiá-lo diretamente.
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Por que o modelo começou a se desfazer?
Segundo reportagem do Financial Times, parte dessas empresas enfrentou pressão crescente de acionistas e credores à medida que o preço do Bitcoin oscilou e os prêmios sobre o valor patrimonial líquido das ações foram comprimidos. O que antes era visto como uma vantagem competitiva — ter Bitcoin no balanço — passou a ser interpretado por parte do mercado como um risco de concentração e falta de foco no negócio principal.
Diversas companhias que seguiram o caminho do acúmulo de Bitcoin passaram a desfazer posições e a comunicar ao mercado um retorno às suas operações originais. O movimento sinaliza que a janela de valorização baseada apenas na narrativa de “empresa com Bitcoin” pode estar se fechando para aquelas que não têm o mesmo porte e visibilidade que a Strategy.
As empresas do setor acumularam juntas cerca de US$ 80 bilhões em destruição de valor de mercado, segundo o Financial Times.
Várias companhias estão vendendo suas reservas de Bitcoin e comunicando ao mercado a retomada de suas atividades-core.
Investidores e credores passaram a questionar a concentração excessiva em um único ativo volátil como estratégia central.
O prêmio que as ações dessas empresas negociavam acima do valor patrimonial líquido encolheu de forma significativa.
O que diferencia as que ainda resistem?
A Strategy, liderada por Michael Saylor, permanece como o caso mais emblemático e ainda mantém sua tese intacta, com posição superior a 500 mil Bitcoins em carteira. A diferença, segundo analistas citados pelo Financial Times, é que a empresa construiu uma estrutura de capital específica para sustentar essa estratégia — com emissão de dívida e ações preferenciais lastreadas na tese Bitcoin — o que a coloca em posição diferente das que simplesmente copiaram o modelo sem a mesma base financeira.
Contexto: o que é uma bitcoin treasury company?
São empresas — originalmente de outros setores — que passaram a adotar o Bitcoin como principal ativo de reserva em seu balanço patrimonial. A lógica era usar o potencial de valorização da criptomoeda para compensar a depreciação do caixa em dólares e, ao mesmo tempo, atrair um novo perfil de investidor interessado em exposição indireta ao Bitcoin via mercado de ações tradicional.
O episódio levanta questões relevantes sobre governança corporativa e os limites da adoção institucional de ativos digitais. Para muitas companhias de médio porte, a narrativa de acumulação de Bitcoin funcionou como um catalisador temporário de valorização das ações — mas sem fundamentos operacionais sólidos, o efeito se mostrou passageiro.
📌 Nota editorial
As informações e dados citados nesta reportagem têm como base a publicação do Financial Times (FT.com). O KriptoHoje não teve acesso às fontes primárias das empresas mencionadas e reproduz as informações com base no veículo de origem.
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