O Congresso dos EUA acaba de fechar a porta para uma moeda digital do Federal Reserve pelos próximos quatro anos — mas a disputa pelo controle do dinheiro digital está longe do fim.
Uma das decisões mais significativas sobre o futuro do dinheiro digital nos Estados Unidos não veio de um projeto de lei exclusivo sobre criptomoedas. Ela veio embutida numa lei habitacional. O 21st Century ROAD to Housing Act foi aprovado pelo Senado por 85 votos a 5 em 22 de junho e confirmado pela Câmara por 358 a 32 no dia seguinte — e no interior desse pacote habitacional estava escondido um dispositivo que proíbe o Federal Reserve de emitir qualquer CBDC (moeda digital de banco central) por quatro anos.
Segundo a CryptoSlate, as empresas que mais se beneficiam com essa decisão são justamente os emissores privados de stablecoins, como Circle (responsável pelo USDC) e Tether (emissor do USDT). Com o Fed impedido de entrar no jogo, o espaço para moedas digitais privadas atreladas ao dólar se amplia consideravelmente.
A conexão com o Ethereum é direta: a grande maioria das stablecoins em circulação opera sobre a rede Ethereum ou redes compatíveis com a EVM. O USDC e o USDT juntos movimentam centenas de bilhões de dólares em transações mensais, e boa parte desse volume passa por contratos inteligentes na blockchain Ethereum. Um ambiente regulatório que favorece stablecoins privadas tende a aumentar a demanda por infraestrutura descentralizada — e o Ethereum segue sendo a principal camada de liquidação dessa infraestrutura.
Leia tambem: guia completo de Ethereum.
O que muda com a proibição do CBDC
O veto não significa o fim do debate. Ele adia a questão, mas concentra pressão política e econômica sobre quem vai controlar o dinheiro digital nos EUA na próxima década. Há dois campos bem definidos nessa disputa.
Circle e Tether ganham quatro anos de ausência de concorrência estatal direta. O mercado de stablecoins lastreadas em dólar deve crescer ainda mais nesse período, fortalecendo a infraestrutura cripto existente.
O Federal Reserve fica impedido de emitir ou mesmo de realizar pilotos de uma moeda digital soberana pelos próximos quatro anos, segundo o dispositivo embutido na lei habitacional aprovada em junho de 2025.
Com stablecoins privadas dominando o cenário, a rede Ethereum — principal plataforma de contratos inteligentes — se consolida como a camada de liquidação preferencial do dinheiro digital não estatal.
O veto não encerra o debate. A aprovação de legislações específicas para stablecoins nos EUA ainda está em andamento, e o tema deve dominar o calendário cripto-regulatório até 2026 e além.
Por que isso importa para além dos EUA
Decisões regulatórias dos Estados Unidos sobre dinheiro digital têm efeito cascata global. Quando o maior mercado financeiro do mundo opta por não emitir uma CBDC, isso sinaliza para outros países — e para os mercados — que o modelo de stablecoin privada auditável pode ser o padrão dominante no curto prazo.
O dinheiro digital privado avança
Com o Fed bloqueado, emissores privados como Circle e Tether operam em terreno mais aberto. A aprovação de uma lei regulatória de stablecoins nos EUA — ainda em negociação no Congresso — pode definir as regras do jogo para os próximos anos e consolidar o papel de redes como o Ethereum como infraestrutura financeira global.
Para o ecossistema Ethereum, a tendência é positiva no médio prazo. Quanto mais stablecoins circulam em redes compatíveis com EVM, maior é a demanda por gas, por soluções de layer 2 e por ferramentas de custódia segura — como as hardware wallets, que permitem ao usuário guardar seus ativos com autonomia total, sem depender de exchanges ou custodiantes centralizados.
📌 Contexto editorial
A CryptoSlate, fonte desta reportagem, é um dos principais portais de análise cripto em língua inglesa. Os dados de votação do Congresso americano foram reportados originalmente em 22 e 23 de junho de 2025, referentes ao 21st Century ROAD to Housing Act.
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