Um ex-agente federal dos EUA enfrenta acusações criminais por supostamente desviar quase US$ 1 milhão em criptomoedas apreendidas pelo FBI — e depois recorrer ao ChatGPT para decidir o que fazer com o dinheiro.
O ex-supervisor de contrainteligência do FBI Cody Donahue foi formalmente indiciado por promotores federais dos Estados Unidos sob a acusação de ter desviado criptomoedas armazenadas em carteiras digitais que estavam sob custódia ou monitoramento da própria agência em que trabalhava.
Segundo a Decrypt, o volume total desviado se aproxima de US$ 1 milhão em ativos digitais. Após apropriar-se dos fundos, Donahue teria consultado o modelo de inteligência artificial ChatGPT para obter orientações sobre como investir o dinheiro e sobre a possibilidade de se mudar para a Europa — movimentos que, segundo a acusação, indicam ciência da ilicitude dos atos.
O caso é considerado incomum até pelos padrões do sistema judiciário federal americano: raramente um agente de alto escalão responsável por investigações de contrainteligência figura no polo passivo de acusações relacionadas ao desvio de ativos digitais apreendidos.
Como o esquema teria funcionado
De acordo com a denúncia, as carteiras de criptomoedas alvo do desvio estavam vinculadas a investigações conduzidas pelo próprio bureau. Donahue, na condição de supervisor, teria tido acesso privilegiado às credenciais ou chaves necessárias para movimentar os fundos.
Quase US$ 1 milhão em criptomoedas retiradas de carteiras ligadas a investigações federais ativas do FBI.
O acusado teria consultado a IA para decidir como investir os fundos e avaliar a viabilidade de relocação para a Europa.
Ex-supervisor de contrainteligência — cargo que confere acesso a informações e evidências de alta sensibilidade.
O indiciamento é federal. A defesa do ex-agente ainda não se pronunciou publicamente sobre as acusações.
A consulta ao ChatGPT foi documentada pelos investigadores e compõe parte das evidências digitais apresentadas no processo. Para a acusação, o ato de buscar orientação sobre como “investir” e “mudar de país” demonstra que o réu tinha plena consciência de que os fundos não lhe pertenciam.
Custódia de cripto por agências federais
O FBI e outras agências americanas rotineiramente assumem a custódia de criptomoedas apreendidas em investigações criminais. A gestão dessas carteiras envolve protocolos internos rígidos — justamente para evitar o tipo de desvio descrito na acusação contra Donahue. O caso reacende o debate sobre controles internos e rastreabilidade no manuseio de ativos digitais por entidades governamentais.
O episódio também evidencia como o histórico de transações em blockchain pode ser uma faca de dois gumes: enquanto serve de ferramenta de investigação para agências como o próprio FBI, o mesmo rastro imutável foi decisivo para identificar e documentar os movimentos atribuídos ao ex-agente.
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📰 Nota editorial
As informações deste artigo são baseadas na cobertura da Decrypt e na denúncia federal pública. O KriptoHoje destaca que se trata de acusações formais — a culpa do réu ainda será determinada pelo sistema judicial americano. A defesa não emitiu declaração pública até o fechamento desta reportagem.
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