Uma operação policial contra o comércio ilegal de metais em Belo Horizonte revelou, dentro de um ferro-velho, uma estrutura clandestina dedicada à mineração de Bitcoin.
A Polícia Militar de Minas Gerais descobriu uma fazenda de mineração de Bitcoin instalada irregularmente em um ferro-velho na capital mineira. A operação tinha como objetivo original combater a receptação de metais oriundos de furtos e roubos — crime que afeta concessionárias de energia, empresas de telecomunicações e obras públicas em todo o país.
No local, os agentes depararam com equipamentos de mineração de criptomoedas em funcionamento. Um suspeito foi detido durante a ação. Segundo apuração do jornal O Tempo, a prática de minerar Bitcoin em si não é ilegal no Brasil, mas as circunstâncias do caso — o ambiente irregular e a possível relação com metais de origem suspeita — levantaram o interesse das autoridades.
Conforme relatado pela Livecoins, a operação integra um esforço mais amplo das forças de segurança de Minas Gerais para desarticular redes de receptação que movimentam materiais como cobre, alumínio e outros metais não ferrosos — insumos que também podem ser aproveitados na montagem de infraestrutura para mineração de criptoativos.
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O que torna a mineração “ilegal” neste contexto?
A mineração de criptomoedas não está proibida pela legislação brasileira. O que pode configurar crime é o contexto em que ela ocorre: uso de energia elétrica desviada ou furtada, instalação em imóveis irregulares, ou operação com equipamentos de procedência duvidosa são fatores que atraem atenção das autoridades.
No caso de Belo Horizonte, a investigação busca determinar se os equipamentos ou a infraestrutura elétrica utilizados na fazenda têm relação com os metais furtados que motivaram a operação original. A apuração segue em andamento.
Um dos crimes mais comuns ligados à mineração clandestina é o desvio de energia elétrica, que pode gerar prejuízos milionários às distribuidoras.
Cabos de cobre e alumínio furtados são frequentemente vendidos em ferros-velhos, o que motivou a operação que culminou na descoberta da fazenda.
A origem dos mineradores encontrados no local será investigada. Hardware de mineração de alto desempenho tem valor elevado e pode ser alvo de furto.
No Brasil, minerar criptomoedas é uma atividade lícita. O enquadramento criminal depende das circunstâncias: irregularidades fiscais, ambientais ou de infraestrutura.
Crescimento das operações clandestinas no Brasil
O Brasil tem registrado um aumento de operações de mineração conduzidas à margem da lei, especialmente em regiões com menor fiscalização. O baixo custo relativo da energia elétrica em algumas localidades, combinado com a valorização do Bitcoin nos últimos anos, cria um incentivo econômico para que grupos criminosos tentem aproveitar a atividade.
Autoridades de diferentes estados já realizaram apreensões de ASICs — os processadores especializados em mineração — em operações contra furto de energia e lavagem de dinheiro. O caso de Belo Horizonte reforça a necessidade de regulamentação mais clara para o setor no país.
Contexto regulatório no Brasil
O Brasil aprovou o Marco Legal das Criptomoedas (Lei 14.478/2022), que estabelece diretrizes para prestadores de serviços com criptoativos. No entanto, a regulamentação específica para mineração ainda carece de normas detalhadas, o que cria zonas cinzentas exploradas por operadores irregulares. O Banco Central e a CVM seguem desenvolvendo o arcabouço regulatório do setor.
📰 Fonte jornalística
As informações desta reportagem são baseadas em publicação da Livecoins, com apuração original do jornal O Tempo, de Belo Horizonte. O KriptoHoje reescreveu e contextualizou o conteúdo de forma independente.
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