A França contabilizou 77 sequestros, extorsões e tentativas relacionados a criptomoedas apenas em 2025. O ministro do Interior apresentou um plano de segurança inédito para proteger detentores de ativos digitais.
A França se consolidou como o epicentro mundial de crimes violentos contra detentores de criptomoedas. O ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, divulgou nesta semana que o país registrou 77 ocorrências — entre sequestros consumados, extorsões e tentativas — diretamente relacionadas à posse de ativos digitais desde o início de janeiro de 2025.
O número representa uma alta expressiva em relação ao ano anterior e acende um alerta sobre a exposição pública dos investidores do setor. Segundo a BeInCrypto, Nuñez classificou a situação como preocupante e anunciou um plano de segurança que ele próprio descreveu como “mais ambicioso” do que qualquer iniciativa anterior do governo francês para o tema.
Os casos envolvem desde abordagens em vias públicas até invasões domiciliares, com criminosos que buscam forçar vítimas a transferir fundos digitais imediatamente. A liquidez e a irreversibilidade das transações em blockchain tornam as criptomoedas um alvo especialmente atrativo para esse tipo de crime.
Por que a França lidera esse tipo de crime?
Especialistas apontam que a combinação de uma comunidade cripto numerosa e relativamente visível, o hábito de armazenamento em carteiras pessoais e a falta de anonimato em redes sociais criam um ambiente propício para que criminosos identifiquem e rastreiem possíveis alvos. A facilidade de transferência de criptoativos sem intermediários, embora seja uma característica positiva do ecossistema, também é explorada pelos criminosos para dificultar o rastreamento posterior.
O que prevê o plano de segurança de Nuñez
Ainda de acordo com a BeInCrypto, o ministro não detalhou publicamente todas as medidas do plano, mas sinalizou que ele envolverá cooperação reforçada entre autoridades policiais e o setor de ativos digitais, além de orientações específicas para que detentores de grandes volumes em cripto adotem práticas mais discretas no dia a dia.
A iniciativa ocorre em um momento em que casos de alto perfil vêm ganhando repercussão internacional. Familiares de executivos e fundadores de empresas do setor já foram alvos de ações criminosas no país, o que pressiona o governo a apresentar respostas concretas.
Evitar divulgar publicamente a posse de criptomoedas em redes sociais é uma das principais recomendações de segurança para investidores do setor.
O uso de hardware wallets com senhas robustas e armazenamento offline reduz significativamente o risco de perda em casos de coerção física.
Criminosos frequentemente mapeiam vítimas por meio de grupos públicos, fóruns e comentários em redes antes de agir fisicamente.
O repositório público Crypto Crimes já registra centenas de casos físicos em dezenas de países, com crescimento acelerado desde 2023.
📌 Nota editorial
As informações sobre os 77 casos e o plano de segurança do governo francês foram divulgadas originalmente pela BeInCrypto, com base em declaração pública do ministro Laurent Nuñez. O KriptoHoje reproduz e contextualiza os dados sem acesso direto às fontes governamentais francesas.
Para especialistas em segurança digital, o debate na França evidencia uma tensão estrutural do ecossistema cripto: quanto mais pessoas adotam a autocustódia de ativos — o que é considerado uma prática saudável do ponto de vista financeiro —, maior é a responsabilidade individual sobre a proteção física dessas informações.
Leia tambem: guia completo de criptomoedas.
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