A Galaxy Digital anunciou um compromisso de até US$ 5 milhões para financiar pesquisas e soluções que tornem o Bitcoin resistente à computação quântica — ameaça que governos e especialistas projetam para antes de 2030.
A Galaxy Digital, uma das maiores empresas de serviços financeiros do setor cripto, confirmou que destinará até US$ 5 milhões ao desenvolvimento de mecanismos capazes de proteger o Bitcoin contra ataques provenientes de computadores quânticos. A iniciativa chega em um momento em que pesquisadores, bolsas de valores e o próprio governo norte-americano intensificam alertas sobre o chamado “Q-Day” — o dia em que máquinas quânticas poderão quebrar os algoritmos criptográficos que sustentam as principais redes digitais do mundo.
Segundo a Decrypt, o aporte da Galaxy será direcionado a grupos de pesquisa e desenvolvedores que trabalham em criptografia pós-quântica aplicada ao protocolo do Bitcoin. A empresa ainda não detalhou publicamente quais organizações específicas serão contempladas, mas sinalizou que os recursos estarão disponíveis ao longo dos próximos anos.
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Por que a computação quântica preocupa o ecossistema cripto?
O Bitcoin utiliza o algoritmo ECDSA (Elliptic Curve Digital Signature Algorithm) para garantir que apenas o titular de uma chave privada possa movimentar seus fundos. Computadores clássicos levariam bilhões de anos para reverter esse processo. Computadores quânticos suficientemente poderosos, no entanto, poderiam teoricamente fazê-lo em horas ou minutos — colocando em risco carteiras antigas, transações pendentes e a integridade da rede como um todo.
O Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos EUA (NIST) já publicou os primeiros padrões de criptografia resistente a ataques quânticos em 2024, e agências federais americanas foram orientadas a iniciar a migração de seus sistemas. No setor cripto, a discussão ainda caminha em ritmo mais lento — o que explica a urgência de iniciativas como a da Galaxy.
Pesquisadores e órgãos governamentais projetam que computadores quânticos capazes de quebrar a criptografia atual podem surgir já em 2030.
A Galaxy Digital reservou até US$ 5 milhões para financiar pesquisa em criptografia pós-quântica voltada especificamente ao protocolo Bitcoin.
O algoritmo ECDSA, base da segurança do Bitcoin, é considerado vulnerável a ataques de computadores quânticos de grande escala.
O NIST publicou os primeiros padrões pós-quânticos em 2024 e orientou agências federais a iniciarem a transição criptográfica.
O que é criptografia pós-quântica?
Criptografia pós-quântica é o campo da ciência da computação dedicado a desenvolver algoritmos que permaneçam seguros mesmo diante do poder de processamento de computadores quânticos. Ao contrário dos sistemas atuais, esses novos algoritmos são projetados para resistir tanto a ataques clássicos quanto aos chamados ataques de Shor e Grover — os mais temidos no contexto quântico.
O movimento da Galaxy sinaliza uma mudança de postura dentro do setor: da observação passiva para o financiamento ativo de soluções. A empresa, fundada pelo ex-executivo da Goldman Sachs Mike Novogratz, tem ampliado sua atuação em infraestrutura e pesquisa nos últimos anos, e este comprometimento reforça a aposta de que a preparação antecipada é mais barata — e estrategicamente mais inteligente — do que uma resposta de emergência.
Para que o Bitcoin incorpore eventuais mudanças criptográficas, seria necessário um processo de atualização do protocolo via soft fork ou hard fork, o que exige amplo consenso entre mineradores, desenvolvedores e usuários. Esse processo, historicamente, é lento e sujeito a intensos debates técnicos e políticos dentro da comunidade.
📌 Nota editorial
A ameaça quântica ao Bitcoin ainda é considerada teórica no horizonte atual. Nenhum computador quântico existente possui capacidade suficiente para comprometer a rede. O debate, porém, ganha tração porque a migração criptográfica de uma rede global do porte do Bitcoin pode levar anos — e precisa começar antes que a ameaça se torne concreta.
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