A exchange HTX, sancionada pelo Reino Unido em maio de 2025 por suposto envolvimento na evasão de sanções russas, estaria adotando uma tática sistemática de troca de endereços para dificultar o rastreamento.
A empresa de inteligência blockchain TRM Labs divulgou uma análise apontando que a exchange de criptomoedas HTX tem adotado uma prática conhecida como rotação de carteiras — a troca frequente de endereços on-chain — com o aparente objetivo de escapar dos sistemas de triagem de sanções aplicados pelas autoridades do Reino Unido. Segundo a The Block, que reportou o caso, o comportamento foi identificado após o governo britânico incluir a HTX em sua lista de entidades sancionadas.
O Reino Unido sancionou a HTX em maio de 2025, alegando que a plataforma facilitou a evasão das sanções impostas à Rússia. A partir desse momento, exchanges e prestadores de serviços financeiros com operações no país passaram a ser obrigados a bloquear transações associadas aos endereços listados. A rotação de carteiras, quando feita de forma sistemática, torna esse bloqueio significativamente mais difícil.
Para quem está começando a entender o mundo cripto, vale recorrer a um guia completo de criptomoedas para entender como endereços de carteira funcionam e por que a rastreabilidade é um tema tão central neste setor.
O que é rotação de carteiras e por que importa
Em blockchains públicas como o Bitcoin e o Ethereum, cada endereço de carteira é visível e rastreável por qualquer pessoa. Quando uma entidade é sancionada, seus endereços conhecidos são adicionados a listas que sistemas de compliance verificam automaticamente antes de processar transações.
A rotação de carteiras consiste em criar e utilizar novos endereços de forma contínua, de modo que os endereços bloqueados pelas listas de sanções rapidamente se tornam obsoletos. A TRM Labs identificou esse padrão de comportamento na HTX ao cruzar dados on-chain com os registros de sanções britânicos.
Prática de trocar endereços blockchain com frequência para dificultar o rastreamento por sistemas de compliance e listas de sanções.
O governo britânico sancionou a HTX em maio de 2025 por suposto papel na facilitação da evasão das restrições impostas à Rússia.
Empresa especializada em inteligência blockchain e análise de riscos, utilizada por governos e instituições financeiras ao redor do mundo.
Exchanges regulamentadas são obrigadas a bloquear transações com endereços presentes em listas de sanções internacionais.
Contexto: HTX e as sanções ligadas à Rússia
A HTX — anteriormente conhecida como Huobi — é uma das maiores exchanges de criptomoedas em volume global. Segundo a The Block, as autoridades britânicas a incluíram na lista de sancionados após investigações indicarem que a plataforma teria sido utilizada para movimentar recursos em desacordo com as restrições impostas à Rússia após a invasão da Ucrânia.
A HTX não é o primeiro caso desse tipo. Outras plataformas já foram investigadas ou sancionadas por alegações semelhantes em diferentes jurisdições. O episódio reacende o debate sobre a efetividade dos regimes de sanções no ambiente cripto e a capacidade das autoridades de acompanhar a velocidade das transações on-chain.
O desafio das sanções em blockchains públicas
Diferentemente do sistema bancário tradicional, onde contas podem ser bloqueadas de forma centralizada, as blockchains públicas permitem que qualquer pessoa crie novos endereços em segundos. Isso torna a aplicação de sanções um processo dinâmico, que exige atualização constante das listas e uso de ferramentas avançadas de rastreamento para ser efetivo.
📰 Fonte
As informações deste artigo são baseadas em reportagem publicada pelo The Block, com base em análise da empresa de inteligência blockchain TRM Labs. A HTX não havia comentado publicamente as alegações até o momento da publicação.
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