A Ledger abriu reservas do Atom, aparelho de US$ 849 com escudo contra violação física, no mesmo momento em que investiga uma quadrilha que adulterou carteiras originais e esvaziou fundos de clientes.
Em 15 de outubro, a fabricante francesa apresentou o Ledger Atom, um dispositivo móvel que une aplicativos do dia a dia a aprovações de transações protegidas por hardware. Segundo a CryptoSlate, a empresa aceita depósitos reembolsáveis de US$ 100 para a edição Founders, de US$ 849, com entregas previstas para 2027.
O lançamento coincide com a investigação de uma operação criminosa organizada. De acordo com a Ledger, os atacantes compraram aparelhos genuínos, instalaram componentes sob medida e devolveram os produtos modificados à distribuição.
Como o Ledger Atom tenta barrar adulterações
O diretor de tecnologia, Charles Guillemet, afirmou que o Atom traz um escudo ativo para detectar tentativas de abrir, sondar ou modificar o hardware seguro. Se alguém mexer na proteção, o Secure Element seria alertado.
Nos ataques recentes, componentes maliciosos teriam interceptado informações exibidas na tela durante a configuração, sem comprometer os chips nem o sistema da Ledger. Guillemet explicou que a autenticação criptográfica dos aparelhos atuais verifica o software seguro, mas não detecta uma peça extra espionando a tela.
Ambiente baseado em Android para apps comuns e um sistema Ledger separado, que controla chaves privadas e aprova transações.
Em operações sensíveis, o processador seguro assume o display, impedindo que apps comuns interfiram na aprovação final.
Câmeras e microfones podem ser desconectados fisicamente.
Há dados 4G e 5G, mas não ligações nem SMS, o que limita a troca do smartphone. Há parceria com a Solana Mobile para pré-instalar o app Seeker.
O que se sabe sobre as carteiras adulteradas
Em comunicado de 15 de outubro, a Ledger disse que os criminosos passaram meses comprando aparelhos genuínos e devolvendo-os ao mercado por revendedores do Sudeste Asiático. Segundo a empresa, a quadrilha montou infraestrutura para coletar frases de recuperação, mover os fundos e lavar os recursos, após investir milhões de dólares.
A Ledger sustenta que seus sistemas, chips e software seguem seguros, e atribui os ataques à manipulação depois que os aparelhos saíram de seu controle. Revendedores e distribuidores do Sudeste Asiático e de Hong Kong foram orientados a suspender as vendas. Unidades compradas em lojas e amostras de armazéns foram examinadas e, segundo a empresa, não mostraram sinais de adulteração.
As regras para revendedores também mudaram: é proibido revender aparelhos devolvidos, não se pode expor produtos em prateleiras e relatos incomuns de clientes precisam ser repassados à empresa.
Vítima inesperada
A Chainalysis apontou que uma das maiores vítimas seria um suposto operador de golpe, que perdeu mais de 60 BTC, cerca de US$ 4,8 milhões. Os recursos vinham de um esquema fraudulento de emprego online. Em 22 de setembro, ele enviou os fundos a três endereços da Ledger. Em 9 de outubro, os três foram esvaziados, com destino ao mesmo endereço, identificado como detentor de fundos roubados.
Segundo a CryptoSlate, o achado dá aos investigadores uma trilha identificável dos recursos, enquanto a Ledger trabalha com autoridades e pesquisadores de segurança para rastrear os atacantes.
O que isso significa para quem investe no Brasil
A fonte não cita o Brasil, e as vendas suspensas se concentram no Sudeste Asiático e em Hong Kong. Ainda assim, o caso reforça a importância de comprar hardware wallets por canais oficiais e de guardar a frase de recuperação com segurança.
Leia também: backup offline com a Ledger Recovery Key.
O Atom ainda aguarda avaliação independente da nova tecnologia de segurança, e a entrega só está prevista para 2027.
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