Um atacante manipulou artificialmente o preço do token MAMO para usá-lo como colateral superfaturado e drenar US$ 8,7 milhões do protocolo DeFi Moonwell na rede Base — sem explorar qualquer vulnerabilidade no código-fonte.
O protocolo de empréstimos descentralizados Moonwell foi alvo de um ataque sofisticado que resultou na perda de aproximadamente US$ 8,7 milhões. O episódio chama atenção por um detalhe incomum: nenhuma linha de código foi explorada. Em vez disso, o atacante se aproveitou de uma vulnerabilidade econômica — a manipulação do preço de um ativo utilizado como garantia na plataforma.
O token envolvido foi o MAMO, listado como colateral aceito pelo Moonwell na rede Base, blockchain da Coinbase. Segundo a BeInCrypto, o atacante infhou artificialmente o valor de mercado do MAMO e, com esse colateral superfaturado, tomou empréstimos em cbBTC (Bitcoin tokenizado da Coinbase) e USDC, drenando os fundos do protocolo antes que qualquer mecanismo de segurança pudesse reagir.
Como a manipulação de preço virou uma arma
Em protocolos DeFi de empréstimo, o usuário deposita um ativo como garantia e pode tomar emprestado outro ativo com base no valor dessa garantia. Se o valor do colateral cai abaixo de um limite mínimo, a posição é liquidada. O problema surge quando o preço do colateral pode ser manipulado — temporária ou artificialmente — antes que o oráculo de preços ou o próprio protocolo perceba a distorção.
Foi exatamente esse o vetor explorado. O atacante elevou o preço do MAMO de forma artificial, depositou os tokens como colateral a um valor inflado e, em seguida, contraiu empréstimos proporcionais a esse valor irreal. Quando o preço do MAMO voltou ao seu patamar verdadeiro, a garantia já era insuficiente — mas os fundos emprestados já haviam sido retirados do protocolo.
⚠️ Ataque sem falha no código
Este tipo de ataque, conhecido como oracle manipulation ou price manipulation exploit, não exige que o invasor encontre bugs no contrato inteligente. Basta que o protocolo aceite um ativo com liquidez baixa como colateral e que o mecanismo de precificação seja suscetível a distorções de mercado.
O que foi perdido e o que está em risco
Parte significativa das perdas foi em cbBTC, o Bitcoin tokenizado da Coinbase, um dos ativos de maior valor presentes nos pools do Moonwell na rede Base.
O atacante também tomou emprestado USDC, a stablecoin da Circle, aproveitando o colateral MAMO superfaturado para maximizar os saques do protocolo.
A drenagem impacta diretamente os provedores de liquidez do protocolo, que podem sofrer perdas proporcional à sua participação nos pools afetados.
Aceitar tokens com baixo volume de negociação como garantia é um risco estrutural em protocolos DeFi — e esse caso expõe a fragilidade dessa prática.
O episódio reacende um debate recorrente no ecossistema DeFi: quais ativos devem ser aceitos como colateral e com quais parâmetros de risco. Tokens com baixa capitalização de mercado e liquidez reduzida são particularmente vulneráveis a esse tipo de manipulação, já que movimentações menores de capital conseguem distorcer significativamente seus preços.
Até o momento da publicação, a equipe do Moonwell não havia divulgado um plano detalhado de compensação para os usuários afetados. O protocolo opera de forma descentralizada, o que torna a resposta a incidentes mais complexa do que em exchanges centralizadas tradicionais.
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