Uma investigação do Wall Street Journal revelou que a Polymarket teria pago influenciadores para encenar apostas vencedoras em sites fictícios, em uma suposta estratégia de marketing enganosa.
A Polymarket, uma das maiores plataformas de mercados de previsão baseadas em criptomoedas, está no centro de uma denúncia grave. Segundo reportagem do Wall Street Journal, a empresa teria contratado criadores de conteúdo para gravar vídeos simulando apostas vencedoras — mas as transações mostradas nunca aconteceram de verdade.
A publicação analisou mais de 1.100 vídeos produzidos por influenciadores e concluiu que nenhuma das apostas exibidas, somando cerca de US$ 1,9 milhão, era real. As gravações eram feitas em sites clonados ou ambientes controlados, criados especificamente para dar a impressão de ganhos expressivos na plataforma.
Segundo a The Block, que repercutiu a investigação, o esquema teria como objetivo atrair novos usuários por meio de conteúdo aparentemente orgânico nas redes sociais. Os vídeos circularam amplamente em plataformas como TikTok e YouTube, apresentando a Polymarket como um ambiente lucrativo para apostas em eventos políticos e econômicos.
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O que é a Polymarket e como funciona
A Polymarket é uma plataforma descentralizada que permite aos usuários apostarem em resultados de eventos reais — desde eleições presidenciais até decisões de bancos centrais — usando criptomoedas. O modelo é conhecido como mercado de previsões, em que os preços das apostas refletem a probabilidade percebida de cada resultado.
A plataforma ganhou visibilidade global durante as eleições norte-americanas de 2024, sendo citada por analistas e veículos de imprensa como um termômetro de sentimento político. Por funcionar sobre blockchain, as transações são públicas e verificáveis — o que torna a alegação de apostas fictícias ainda mais relevante do ponto de vista da transparência.
O WSJ analisou mais de 1.100 vídeos de influenciadores e não encontrou nenhuma aposta real entre os US$ 1,9 milhão exibidos no conteúdo patrocinado.
Criadores foram pagos para gravar em sites falsos que simulavam a interface da Polymarket, dando a impressão de ganhos reais para atrair novos usuários.
Os vídeos foram distribuídos principalmente no TikTok e YouTube, apresentados como conteúdo orgânico e não necessariamente identificados como publicidade paga.
A Polymarket opera sobre blockchain pública, onde transações são verificáveis. A ausência das apostas nos registros on-chain foi um dos elementos que sustentou a apuração do WSJ.
Por que isso importa para quem está começando
Conteúdo patrocinado disfarçado de experiência real é uma prática que já gerou investigações regulatórias em diversos países. No mercado cripto, onde influenciadores têm grande alcance sobre públicos iniciantes, a ausência de transparência sobre o que é publicidade e o que é relato genuíno representa um risco concreto para quem ainda está aprendendo a navegar no setor.
Até o momento da publicação desta reportagem, a Polymarket não havia emitido um comunicado oficial detalhado respondendo às alegações do Wall Street Journal. A The Block tentou contato com a empresa, mas não obteve resposta antes do fechamento da matéria.
O caso acende um debate mais amplo sobre práticas de marketing no ecossistema cripto e a responsabilidade de plataformas ao contratar criadores de conteúdo. Reguladores em diferentes jurisdições têm aumentado o escrutínio sobre publicidade enganosa em ativos digitais — e episódios como este tendem a alimentar discussões sobre a necessidade de regras mais claras no setor.
📰 Nota editorial
Esta reportagem é baseada em informações divulgadas pelo Wall Street Journal e repercutidas pela The Block. O KriptoHoje não teve acesso independente aos vídeos analisados pelo WSJ. A Polymarket não se manifestou publicamente de forma detalhada sobre as acusações até o fechamento desta edição.
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