O Rabbithole, plataforma que ajudou a definir a era de quests em cripto, anuncia seu relançamento com uma proposta diferente: um marketplace onde protocolos DeFi pagam por retenção real de capital, e não por picos temporários de liquidez.
O Rabbithole foi uma das plataformas mais reconhecidas durante o ciclo de quests em cripto — período em que protocolos distribuíam recompensas para usuários que completavam tarefas específicas dentro de aplicações descentralizadas. Agora, após um hiato, a plataforma retorna com uma tese reformulada e uma categoria que ela própria nomeia de Onchain Retention.
Segundo a BeInCrypto, o novo modelo funciona como um marketplace onde protocolos de finanças descentralizadas (DeFi) podem estruturar recompensas direcionadas a usuários que mantêm capital depositado por períodos mais longos — em vez de simplesmente atrair liquidez que desaparece assim que os incentivos acabam.
Leia tambem: o que e DeFi e como funciona.
O problema que o modelo tenta resolver
Um dos desafios crônicos do ecossistema DeFi é o fenômeno conhecido como mercenário de liquidez: provedores que alocam capital em um protocolo exclusivamente para capturar incentivos elevados e, ao fim do programa, retiram tudo imediatamente. O efeito prático é um crescimento artificial de métricas como TVL (Total Value Locked) sem que o protocolo construa uma base de usuários fiel.
A proposta do Rabbithole ataca esse ciclo ao redesenhar a lógica de recompensas: em vez de pagar pela entrada de capital, os protocolos passam a pagar pela permanência desse capital. O modelo cria um alinhamento de incentivos entre quem oferece liquidez e quem precisa de estabilidade operacional.
Recompensas pagas pela entrada de capital. Liquidez sobe durante o programa e despenca ao fim dos incentivos, deixando o protocolo vulnerável.
Recompensas pagas pela permanência do capital. Protocolos conseguem projetar TVL mais estável e construir base de usuários recorrentes.
Estrutura bilateral que conecta protocolos que precisam de liquidez estável a usuários dispostos a comprometer capital por períodos definidos.
O foco deixa de ser o pico de TVL e passa a ser a consistência de uso — um indicador considerado mais relevante para avaliar a saúde de um protocolo DeFi.
Uma nova categoria no ecossistema DeFi
Ao nomear a iniciativa de Onchain Retention, o Rabbithole sinaliza uma tentativa de criar uma categoria de produto distinta dentro do mercado de incentivos descentralizados — posicionando-se não apenas como uma ferramenta de engajamento, mas como infraestrutura para protocolos que buscam crescimento sustentável.
Contexto: a era das quests e seus limites
Entre 2021 e 2023, plataformas de quests se multiplicaram no ecossistema cripto, distribuindo tokens e NFTs a usuários que interagiam com protocolos. O modelo gerou engajamento massivo, mas também críticas: grande parte dos participantes abandonava os protocolos logo após resgatar as recompensas. A retenção real de usuários e capital permaneceu um problema em aberto — e é exatamente esse gap que o novo Rabbithole pretende endereçar.
O relançamento ocorre em um momento em que o setor DeFi debate ativamente a eficiência dos programas de incentivo. Dados históricos mostram que a maioria dos protocolos que apostou em recompensas agressivas enfrentou quedas expressivas de TVL após o encerramento dos programas, sem ter construído base orgânica suficiente para sustentar a atividade.
📰 Fonte
As informações deste artigo são baseadas em reportagem publicada pela BeInCrypto, que noticiou o relançamento do Rabbithole e a criação da categoria Onchain Retention como novo segmento dentro do mercado de incentivos DeFi.
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