A Comissão de Valores Mobiliários dos EUA processa o fundador da plataforma Privvy por captar US$ 12,3 milhões com promessas de bots de IA que, segundo os reguladores, jamais existiram.
A SEC (Securities and Exchange Commission), reguladora do mercado de capitais dos Estados Unidos, abriu processo judicial contra o fundador da plataforma Privvy, identificado como Fuller, acusando-o de conduzir um esquema fraudulento de captação de recursos no mercado de criptoativos. Segundo as alegações da autarquia, o esquema teria movimentado ao menos US$ 12,3 milhões obtidos de investidores ao longo de um período que ainda está sendo apurado.
O cerne da acusação envolve a promessa de robôs de negociação automatizada com inteligência artificial — os chamados “bots de IA” — capazes de gerar retornos consistentes no mercado cripto. O problema, segundo a SEC, é que tais ferramentas simplesmente não existiam da forma como foram vendidas aos investidores. A suposta tecnologia era, na prática, uma fachada para atrair capital.
Segundo a The Block, a SEC alega que Fuller desviou parte substancial dos recursos captados para uso pessoal, incluindo a aquisição de uma casa avaliada em aproximadamente US$ 1 milhão, gastos com jogos de azar, coleção de cards colecionáveis, viagens e a compra de um veículo Jeep. O padrão de gastos descrito no processo é característico de esquemas em que recursos de investidores são tratados como patrimônio pessoal do gestor.
Como o esquema funcionava
A Privvy se apresentava ao mercado como uma plataforma de investimento em cripto potencializada por inteligência artificial. A narrativa de IA tem sido utilizada com frequência crescente por operadores fraudulentos, que aproveitam o interesse do público no tema para conferir credibilidade técnica a projetos sem substância real.
A SEC aponta que o fundador captou ao menos US$ 12,3 milhões de investidores com promessas de retornos via bots de trading automatizado.
Imóvel de ~US$ 1 milhão, apostas, cards colecionáveis, viagens e um Jeep figuram entre os gastos pessoais atribuídos ao acusado.
Os bots de inteligência artificial prometidos pela plataforma não funcionavam conforme o divulgado, segundo as alegações do regulador americano.
A SEC entrou com processo formal contra Fuller. O caso segue em tramitação e as acusações ainda não foram provadas em tribunal.
Padrão recorrente: IA como isca
O uso do termo “inteligência artificial” como argumento de venda em esquemas fraudulentos tem se tornado um padrão preocupante. Reguladores americanos e europeus já alertaram para o aumento de fraudes que combinam o apelo das criptomoedas com a credibilidade associada à IA — criando uma camada extra de dificuldade para que investidores comuns identifiquem o risco.
O caso Privvy se insere em um contexto de endurecimento das ações de enforcement da SEC contra projetos cripto considerados fraudulentos. Nos últimos anos, a autarquia intensificou investigações e processos contra plataformas que captam recursos sem registro adequado ou que enganam investidores sobre a natureza de seus produtos.
Para quem investe ou pretende investir em criptoativos, episódios como este reforçam a importância de compreender bem onde os recursos são alocados e quais as obrigações legais das plataformas. Para orientações sobre como declarar e registrar ativos digitais corretamente no Brasil, confira o guia completo de criptomoedas.
📌 Nota editorial
As acusações descritas nesta reportagem são alegações formais da SEC e ainda não foram comprovadas em juízo. O KriptoHoje baseia este conteúdo nas informações publicadas pelo The Block e nos documentos públicos do processo. Fuller tem o direito de apresentar sua defesa.
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