Antes restritas ao universo das criptomoedas, as stablecoins ganham protagonismo como base de pagamentos globais — e a América Latina está entre as regiões que mais impulsionam essa transformação.
O que começou como uma solução técnica para amenizar a volatilidade das criptomoedas evoluiu para algo muito maior. As stablecoins — ativos digitais com valor atrelado a moedas fiduciárias como o dólar — deixaram de ser um instrumento restrito a traders e desenvolvedores de blockchain para se tornar parte da engrenagem de pagamentos internacionais, remessas e operações corporativas em escala global.
Segundo a Livecoins, em 2025 a América Latina se consolidou como uma das regiões com os casos de uso mais avançados para stablecoins, processando volumes expressivos de transações que antes dependiam de intermediários financeiros tradicionais — lentos, caros e frequentemente inacessíveis para parcelas significativas da população.
A adoção não se limita a economias emergentes. Empresas multinacionais em países desenvolvidos também passaram a utilizar stablecoins para liquidar transações transfronteiriças, reduzindo custos operacionais e acelerando a velocidade dos repasses. O dólar digital circula agora em redes públicas de blockchain com uma eficiência que o sistema bancário convencional ainda não consegue replicar.
Por que a América Latina lidera o uso prático
Em países com histórico de instabilidade cambial, como Argentina e Venezuela, as stablecoins cumprem um papel que vai além da conveniência: elas funcionam como reserva de valor acessível para cidadãos que não têm acesso fácil a contas em moeda estrangeira. O USDT e o USDC tornaram-se alternativas reais ao dólar físico nessas economias.
No Brasil, o crescimento é impulsionado principalmente por remessas internacionais e pagamentos a prestadores de serviço no exterior. Freelancers, empresas de tecnologia e importadores encontraram nas stablecoins uma forma de movimentar recursos com tarifas menores do que as cobradas por bancos e fintechs tradicionais.
Uma das regiões com maior adoção prática de stablecoins em 2025, impulsionada por instabilidade cambial e demanda por remessas mais baratas.
Multinacionais adotam stablecoins para liquidações transfronteiriças, reduzindo custos e eliminando intermediários bancários tradicionais.
Trabalhadores migrantes e freelancers utilizam stablecoins para enviar e receber pagamentos com tarifas significativamente menores.
Em países com alta inflação, stablecoins lastreadas em dólar servem como alternativa acessível à dolarização tradicional.
A relação com o Bitcoin e o ecossistema cripto
A expansão das stablecoins não acontece de forma isolada. Ela está diretamente ligada ao amadurecimento do ecossistema cripto como um todo, incluindo o Bitcoin, que permanece como principal referência de valor e adoção institucional no setor. À medida que mais pessoas acessam exchanges e carteiras digitais para operar com stablecoins, a familiaridade com outros ativos como o BTC também cresce.
Para quem está iniciando nesse universo, entender os fundamentos é essencial. Leia também: guia completo de Bitcoin para iniciantes.
Infraestrutura, não apenas especulação
A narrativa em torno das stablecoins mudou de forma relevante. Se antes eram associadas principalmente à especulação em exchanges, hoje elas sustentam fluxos financeiros reais — de trabalhadores que enviam dinheiro para família no exterior a corporações que precisam liquidar contratos entre países com diferentes moedas e regulações. Esse deslocamento de função é o que define a transição de nicho para infraestrutura.
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