Um estudo do Banco da Itália desafia a narrativa de que stablecoins são inevitavelmente mais baratas para remessas internacionais — os custos podem chegar a 9% do valor enviado.
A ideia de que stablecoins poderiam baratear o envio de dinheiro entre países é um dos argumentos mais repetidos no setor cripto. No entanto, uma pesquisa recente do Banco da Itália coloca esse pressuposto em xeque: segundo o levantamento, os custos associados ao uso de stablecoins em remessas internacionais podem chegar a 9% do valor transferido — patamar comparável ou até superior ao de canais bancários convencionais.
O estudo analisou diferentes corredores de remessa e modelos de transferência, tanto tradicionais quanto baseados em ativos digitais. A conclusão foi que não há uma vantagem de custo consistente para as stablecoins — o desempenho varia bastante conforme o corredor, a plataforma utilizada e as taxas de conversão envolvidas.
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O que são stablecoins e por que elas entraram nesse debate?
Stablecoins são criptomoedas projetadas para manter um valor estável, geralmente atrelado ao dólar americano ou a outra moeda fiduciária. Exemplos conhecidos incluem USDT (Tether) e USDC (USD Coin). Por operarem em redes blockchain, elas permitem transferências rápidas entre países — o que gerou expectativa de que pudessem reduzir os custos das remessas globais.
O mercado de remessas movimenta centenas de bilhões de dólares por ano, sendo vital para famílias em países em desenvolvimento que dependem de recursos enviados por parentes no exterior. Qualquer redução nas taxas desse setor tem impacto direto na vida de milhões de pessoas.
As taxas médias de remessa via bancos costumam girar entre 5% e 7%, segundo dados do Banco Mundial — já consideradas elevadas pelo setor.
O Banco da Itália identificou custos de até 9% em algumas rotas via stablecoins, quando somadas taxas de plataforma, conversão e spread cambial.
O custo final depende muito do par de países envolvidos. Em alguns corredores, stablecoins foram mais baratas; em outros, saíram mais caras.
Taxas de rede (gas fees), spreads de câmbio e tarifas das exchanges são fatores que encarecem o processo e costumam ser ignorados nas comparações simplistas.
O que o estudo do Banco da Itália encontrou
Segundo a BeInCrypto, o Banco da Itália examinou o custo total das remessas ao longo de toda a cadeia de transferência — desde o momento em que o remetente converte moeda local em stablecoin até o instante em que o destinatário recebe o valor em moeda local no outro país. Essa abordagem revelou que os chamados “custos ocultos” têm peso considerável no resultado final.
Entre os fatores que elevam os custos nas transferências via stablecoins estão as taxas de conversão nas plataformas de câmbio, as taxas de rede pagas para processar transações no blockchain e o spread aplicado na ponta de saída, quando o destinatário precisa converter a stablecoin para a moeda local.
Contexto: a meta dos 3% do G20
O G20 estabeleceu como meta reduzir o custo médio global de remessas para 3% do valor transferido. Tanto bancos tradicionais quanto stablecoins ainda estão distantes desse objetivo na maioria dos corredores, segundo o estudo italiano.
O levantamento não descarta o potencial das stablecoins para o futuro, mas aponta que, no estado atual do mercado, a tecnologia ainda não entrega de forma consistente a promessa de transferências internacionais mais baratas para o usuário comum.
📌 Nota editorial
O estudo do Banco da Itália é relevante especialmente para quem está começando a entender o universo cripto. A promessa de “taxas zero” ou “quase zero” em transferências via blockchain frequentemente ignora etapas essenciais do processo — como a conversão entre moeda fiat e cripto nas duas pontas da transação.
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