O fundador do Uniswap voltou a escrever após anos de silêncio editorial e provocou um debate aceso: AMMs podem substituir as bolsas tradicionais nos mercados de ações tokenizadas?
Hayden Adams, criador do protocolo Uniswap, publicou seu primeiro texto de análise desde 2019 — e o argumento central é ambicioso: os chamados AMMs (market makers automatizados, ou seja, protocolos que formam preços de forma algorítmica, sem intermediários humanos) serão os grandes vencedores dos mercados de ações tokenizadas. A tese repercutiu rapidamente nas redes sociais, dividindo investidores entusiastas e traders céticos.
Para quem está começando no universo cripto: um AMM é um tipo de exchange descentralizada que usa fórmulas matemáticas para determinar o preço de ativos, em vez de depender de compradores e vendedores humanos combinando ordens. O Uniswap é o maior exemplo desse modelo. Já uma ação tokenizada é uma representação digital de uma ação de empresa (como Apple ou NVIDIA) registrada em blockchain — um conceito ainda emergente, mas que grandes instituições financeiras vêm testando.
Segundo a The Defiant, a tese de Adams propõe uma virada de chave: em vez de negociar ações tokenizadas contra dólares (como acontece nas bolsas tradicionais), os AMMs permitiriam que investidores negociassem essas ações diretamente contra fundos de índice — como o equivalente tokenizado do S&P 500. Isso criaria pares de liquidez como “NVIDIA vs. SPY”, algo incomum no mercado convencional.
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Por que a ideia dividiu opiniões?
A publicação gerou reações opostas. De um lado, investidores ligados ao ecossistema DeFi elogiaram a proposta como uma forma de tornar mercados mais eficientes e acessíveis. Do outro, traders com experiência em mercados tradicionais fizeram uma pergunta direta: quem, na prática, estaria disposto a vender ações da NVIDIA para receber cotas de um fundo de índice?
Um ex-operador da XTX Markets — uma das maiores firmas de market making do mundo — foi ainda mais categórico nas respostas públicas, afirmando que AMMs “irão a zero” nos mercados mais competitivos, por não conseguirem competir com a sofisticação dos algoritmos profissionais em ativos correlacionados. O argumento é técnico: quando dois ativos se movem juntos (como uma ação individual e seu índice), as perdas para provedores de liquidez em AMMs tendem a ser maiores.
AMMs são ideais para pares correlacionados (ex: NVIDIA vs. S&P 500) porque a fórmula de precificação pode ser ajustada para refletir a relação histórica entre os ativos, reduzindo perdas e aumentando eficiência.
Ninguém quer trocar ações de empresas individuais por índices como forma habitual de negociação. Sem demanda real por esses pares, a liquidez seria insuficiente para sustentar um mercado competitivo.
O que são AMMs, em termos simples?
Um AMM (Automated Market Maker) é um contrato inteligente que mantém reservas de dois ativos e usa uma fórmula matemática para definir o preço de troca entre eles. Qualquer pessoa pode depositar ativos nesse contrato e receber uma fatia das taxas pagas por quem negocia. O Uniswap popularizou esse modelo a partir de 2018, e hoje movimenta bilhões de dólares por dia em criptoativos.
O contexto: ações tokenizadas ganham tração
Este conteúdo é de caráter informativo e não constitui recomendação de investimento. Criptomoedas são ativos voláteis; consulte um profissional antes de investir.
